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Correio da Manhã

Sociedade

Estado paga salário a diretora agressora da Casa dos Rapazes

Manuela Costa nega insultos e agressões a jovens da Casa dos Rapazes. Diz que impôs “regras e limites”.
Fátima Vilaça 27 de Setembro de 2018 às 01:30
Maria Manuela Costa, ex-diretora da Casa dos Rapazes, no julgamento por casos de agressão
Arguidos no julgamento das agressões na Casa dos Rapazes
Maria Manuela Costa, ex-diretora da Casa dos Rapazes, no julgamento por casos de agressão
Arguidos no julgamento das agressões na Casa dos Rapazes
Maria Manuela Costa, ex-diretora da Casa dos Rapazes, no julgamento por casos de agressão
Arguidos no julgamento das agressões na Casa dos Rapazes
A diretora técnica da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo, que ontem começou a ser julgada por maus- -tratos a jovens internados na instituição, está suspensa de funções desde novembro do ano passado, mas continua a receber o vencimento pago pela entidade, que é financiada pelo Estado. Maria Manuela Costa responde por 13 crimes de maus-tratos físicos e psicológicos. Ontem, no início do julgamento, no Tribunal de Viana do Castelo, a responsável negou os crimes. Diz que o que fez foi impor "regras, limites e rotinas".

"Às vezes é necessário repreendê-los. É necessário segurá-los, exercer alguma contenção, mas nunca com a intenção de os magoar", afirmou a diretora, referindo-se aos jovens como "agressivos, desafiantes" e que "questionam e se opõem às regras todas". Confrontada com casos concretos de agressões físicas e insultos dirigidos aos jovens, Maria Manuela Costa, que durante dez anos exerceu o cargo de diretora técnica da Casa dos Rapazes, admitiu apenas ter dado "toques, mas nunca estaladas.

A responsável disse considerar-se uma pessoa "exigente". "Não sou muito meiga a falar com eles, mas daí a chegar ao palavrão ou ao insulto isso não", garantiu.

Os quatro educadores, também acusados de terem desferido "bofetadas e cachaços" aos jovens, negaram as acusações.

Advogado da instituição defende arguidos
Morais da Fonte é advogado da Casa dos Rapazes há vários anos, mas essa função não o coibiu de assumir a defesa da diretora e de outros dois educadores acusados de maus-tratos a jovens ao cuidado daquela instituição.
Ao Correio da Manhã, o advogado afirmou não existir "incompatibilidade". "Tenho autorização e não constitui nenhuma ilegalidade", referiu. No entanto, a situação causou mal-estar entre colaboradores da casa.

"Este caso é uma guerra de adultos"
u Maria Manuela Costa acusou funcionários da instituição de serem os autores das denúncias, que considerou "injustas" e "penosas" para todos os arguidos. "Este caso é uma guerra de adultos", atirou, sublinhando não ter dúvidas de que os jovens foram "instrumentalizados".

SAIBA MAIS
35
crimes é o total atribuído aos cinco arguidos que ontem começaram a ser julgados em Viana do Castelo. O Ministério Público considera que integram "criminalidade violenta", devido à menoridade das vítimas e ao facto de estarem confiados aos arguidos.

Vítimas vão ser ouvidas
Os rapazes que foram sujeitos aos crimes de maus-tratos serão ouvidos na próxima sessão do julgamento. A audiência já está marcada para o dia 15 de outubro.













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