Novo coronavírus surge associado a maiores complicações cardíacas, falência de órgãos e doença renal.
Quando a Covid-19 começou, a pouco e pouco a assolar o globo, há já quase um ano, foram inevitáveis as comparações com a gripe. Apesar dos alertas médicos, e dos números que mostram que já morreram mais de 1.6 milhões de pessoas em todo o mundo devido à doença, os ‘teóricos das redes sociais’ e outros sugeriram que o novo coronavírus seria tão ou menos grave do que a gripe comum. Acontece que um novo estudo vem provar que esta ideia não podia estar mais longe da verdade.
Os investigadores da Escola de medicina da Universidade de Washington associaram-se ao Sistema de Saúde Veterans Affairs de St Louis, EUA, para analisarem a fundo milhares de registos de pacientes assistidos nos últimos tempos com gripo (desde 2017) e com Covid-19 (este ano).Segundo apurou o estudo, entre os pacientes hospitalizados, a Covid-19 surge associada a um risco de morte quase cinco vezes superior ao da gripe.
Mas há mais: os doentes com Covid-19 têm uma maior probabilidade de necessitarem de ventiladores e de darem entrada em cuidados intensivos. Também, ainda que ambas as doenças afetem os pulmões, a Covid-19, segundo os cientistas, é associada como causa de maior risco de desenvolver complicações e danos nos rins e fígado, problemas de cardíacos, maior risco de AVC, choque séptico, baixa pressão arterial, coágulos sanguíneos e – uma surpresa – aumenta também o risco de desenvolver diabetes.
Dizem os autores do estudo, Ziyad Al-Aly, Yan Xie, Benjamin Bowe e Geetha Maddukuri, que dos 3641 pacientes hospitalizados com Covid-19 que foram analisados pelo estudo, registaram mais 9% de novos casos de diabetes do que o registado nos pacientes internados devido a uma gripe (foram analisados 12 676 registos).
"estes pacientes não tinham diabetes até apanharem Covid-19. Aí os níveis de açúcar no sangue dispararam e precisaram de enormes doses de insulina. Se é reversível ou precisa de cuidados a longo-termo, se é de tipo 1 ou 2? Não sabemos porque a Covid-19 praticamente não existia há um ano", explica Ziyad Al-Aly, um dos autores.
O estudo descreve que os pacientes internados com o novo coronavírus que têm maior risco de morte são doentes com mais de 75 anos, com doença renal ou demência, e afro-americanos com obesidade, diabetes ou doença renal.
Os números impressionam se falarmos nos riscos de falência renal aguda (que pode levar a necessidade de transplante) e choque séptico: sobe cerca de 6% em pacientes com Covid-19. Também a baixa pressão arterial instalada devido á doença, como sequela, e que pode causar danos nos órgãos, foi verificada em mais 11,5% dos doentes.
Os autores do estudo terminam: "é possível que, daqui a um ano ou até cinco, surjam complicações de saúde e sequelas que não tenhamos considerado(…).Ainda estamos a aprender. Até para quem recupera e sobreviva à Cpovid-19, podem ficar para sempre com as cicatrizes dos impactos e sequelas a longo-termo".
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