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Correio da Manhã

Sociedade
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“Eu queria ter mais filhos”

"Eu queria ter mais filhos. A decisão dependia de mim e do meu marido", disse ontem no Tribunal de São João Novo, Porto, Maria Aurora, 37 anos, que em 2001 ficou estéril após ter dado à luz Nuno Henrique. O parto complicou-se na Maternidade Júlio Dinis e o médico, para evitar outra gravidez de risco, decidiu laquear as trompas de falópio sem autorização, segundo a acusação do Ministério Público.

3 de Abril de 2009 às 00:30
Maria (à dir.) depôs ontem em tribunal, ainda traumatizada
Maria (à dir.) depôs ontem em tribunal, ainda traumatizada FOTO: Miguel Pereira

Ontem, o médico, que era chefe de obstetrícia, contestou. 'Efectuei a laqueação com consentimento. Falei-lhe durante a cirurgia e ela disse que sim. Confiei nela', disse Raul Nogueira, de 62 anos, no início do julgamento. Maria contrariou. 'Nunca me pediram nada.' A mulher correu ainda risco de vida. Ficou impossibilitada de urinar, já que durante o parto os ureteres terão sido acidentalmente laqueados. Dias depois foi operada.

O clínico é acusado de ofensa à integridade física. Diz que duas horas após o início do parto viu que havia possibilidade de ruptura do útero numa futura gravidez e nessa altura aconselhou a mulher. Teve a sua autorização verbal e não escrita. Maria, que exige 350 mil euros de indemnização, não assinou o termo de responsabilidade.

'Ela estava consciente', respondeu o médico, quando questionado pelo MP e pela advogada de Maria sobre se achava que a doente, anestesiada, estava em condições de poder decidir e se não podia ter sugerido outro método contraceptivo.

PORMENORES

EX-DIRECTOR APOIA

O director da Maternidade à altura, Paulo Carvalho, também especialista em obstetrícia, considerou ontem em tribunal, 'normal' a decisão do colega e confirmou que o consentimento nem sempre é escrito.

INSUFICIÊNCIA RENAL

Por causa da lesão aos ureteres, Maria corre o 'risco de aos 50 anos sofrer de insuficiência renal crónica', ter de 'fazer hemodiálise' ou mesmo 'transplante dos rins', esclarece o MP.

TRIBUNAL OUVE MÉDICOS

Os juízes ouviram ontem dois médicos e uma enfermeira. O anestesiologista confirmou que o colega teve autorização.

 

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