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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ex-presidente da AGIF critica passagem da entidade para o Ministério da Agricultura

Tiago Oliveira disse ainda esta quarta-feira que a saída do cargo após oito anos teve a haver com a "falta de condições".

24 de junho de 2026 às 21:58

O ex-presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, justificou esta quarta-feira a saída do cargo com a falta de condições e criticou a passagem da AGIF para o Ministério da Agricultura.

"Propusemos a renovação da nossa comissão de serviço em julho de 2024. Isso não aconteceu, mantivemo-nos no lugar em substituição e em gestão, até que eu tive que fazer outras coisas na vida e pedi para sair porque não tinha condições", disse Tiago Oliveira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos negócios dos incêndios rurais.

Ressalvando que saiu do cargo em maio por razões pessoais, Tiago Oliveira afirmou que já tinha pedido a demissão há um ano e recordou que a equipa da AGIF que liderava terminou o seu mandato em julho de 2024 e não foi nomeada uma nova presidência desde que o Governo PSD/CDS tomou posse em 2024, tendo estado sempre em gestão.

"Aquilo que eu vi é que, pessoalmente, também já era um exercício tão forte e tão exigente que não valia a pena estar a puxar por uma carruagem em andamento quando as dificuldades políticas para implementar um regime de transformação eram abaixo daquelas que se entendiam como necessárias", frisou.

O engenheiro florestal acrescentou que entendeu também pedir a demissão "depois de todo o protagonismo da proteção civil" e da missão da agência ter "recuado para um papel de assessoria técnica", referindo-se à criação em Leiria do Comando Integrado de Prevenção e Operações, coordenada pela Proteção Civil com o objetivo de limpar as áreas afetadas pela tempestade Kristin.

Tiago Oliveira, que estava na AGIF desde a sua criação, em 2017, referiu que até 2020 a agência conseguiu e teve a capacidade em ser ouvida e apresentar soluções efetivas.

"Com a chegada da Covid-19, da guerra, com a preocupação da inflação, com a alteração do ciclo político, as coisas foram-se tornando menos objetivas", disse, criticando a passagem da AGIF da tutela do primeiro-ministro para o Ministério da Agricultura.

Tiago Oliveira ressalvou que não se trata de uma questão de cooperação, mas sustentou que uma entidade que tem um papel de "articulação supraministerial e transversal às políticas não pode estar debaixo de um ministério setorial.

"Quando se passa da esfera do primeiro-ministro para a esfera do Ministério da Agricultura naturalmente que os telefones são atendidos com outra prioridade. Uma coisa é alguém estar a trabalhar para o primeiro-ministro, outra coisa é alguém estar a trabalhar para o Ministério da Agricultura, que é o 13º membro do Governo na ordem da hierarquia".

Tiago Oliveira disse que transmitiu esta preocupação de mudança de tutela ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, salientando que manifestou "esse desconforto".

O ex-presidente da AGIF lamentou ainda que agora é "mais difícil chegar" aos ministérios da Defesa e da Administração Interna.

A Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios florestais, imposta pelo Chega, pretende investigar as causas, a gestão e os eventuais negócios associados aos grandes fogos florestais.

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