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Correio da Manhã

Sociedade
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Exames em excesso são risco de cancro

Fazer exames radiológicos em excesso – como pneumotórax, mamografia, tomografia axial computorizada (TAC) e cintigrafia – podem ser prejudiciais para os doentes porque podem causar cancro, isto devido à radiação que recebem quando fazem estes exames de diagnóstico.
28 de Dezembro de 2009 às 00:30
Quando o doente faz uma radiografia ou mamografia está a receber radiação ionizante
Quando o doente faz uma radiografia ou mamografia está a receber radiação ionizante FOTO: d.r.

O alerta é de Jorge Espírito Santo, do Colégio da Especialidade de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos. "Em oncologia há a necessidade de o doente repetir exames para controlo da doença, e os doentes estão expostos a algum tipo de radiação nos disparos que, em excesso, podem aumentar o risco de cancro."

Segundo o especialista, pode "não haver um grande controlo" na quantidade de exames radiológicos feitos quando o doente consulta vários médicos e duplica os exames. "O doente não tem um registo muito seguro sobre os exames que realizou, e o médico não sabe a que exposição ele esteve exposto."

Jorge Espírito Santo defende que se deve "fornecer ao doente a informação do valor da exposição por cada exame radiológico que faz" e que o paciente deve ficar a saber quando se aproxima ou quando atinge o limite de radiação que pode receber.

A radiação ionizante usada nas radiografias, mamografias, TAC e cintigrafias é carcinogénica, ou seja, tem potencial para provocar cancro.

O risco da radiação ionizante não se coloca na ressonância magnética, porque o doente está exposto a um campo magnético e não a radiações ionizantes. Jorge Espírito Santo contesta que as radiações nos exames em oncologia estejam fora de controlo porque, justifica, "há regulamentação comunitária para a actividade e limites de radiação que os fabricantes dos equipamentos devem respeitar". O especialista explicou que os "aparelhos têm dosímetros, pequenas placas que registam as doses da radiação". A manutenção dos equipamentos está a cargo dos fabricantes.

APONTAMENTOS

FALTAM ESPECIALISTAS

A Sociedade Portuguesa de Física diz que há falta de especialistas em Física Médica para controlar as radiações dos exames.

GOVERNO

Quatro ministérios partilham competências na área daradioprotecção.

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