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Correio da Manhã

Sociedade
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Executivo sai devido à violência

A violência em meio escolar fez cair o Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja. "A situação tornou-se insustentável", disse ao CM Domingas Velez, presidente demissionária do CE. A responsável acrescenta que os professoresestão"cansados" dos constantes episódios vividos na escola.Preocupados com o clima de instabilidade e de segurança do estabelecimento estão também os auxiliares. "Alguns já chegaram mesmo a ser agredidos", contou Arlindo Palma representante do pessoal auxiliar da escola.
28 de Outubro de 2008 às 20:00
Escola EB 2,3 de Santa Maria recebe crianças dos bairros mais problemáticos da cidade de Beja
Escola EB 2,3 de Santa Maria recebe crianças dos bairros mais problemáticos da cidade de Beja FOTO: Madalena Palma

Desde sexta-feira que os portões da escola ostentam um cartaz onde se exige ‘Ensinar em Segurança’. Têm sido inúmeros os casos de agressões entre alunos, a encarregados de educação e auxiliares, numa escola que recebe as crianças dos bairros mais problemáticos da cidade. Adocente sugere a 'distribuição de alunosproblemáticos por outras escolas'.

Também alguns professores já foram vítimas de agressões verbais e físicas. Uma das últimas medidas tomadas para controlar o clima de insegurança foi o encerramento dos portões da escola, depois de esta ter sido invadida várias vezes por alguns encarregados de educação que agrediram outros pais e danificaram material escolar. 'Um dia entrei às 08h00 e já estava o pai de um aluno à porta da escola à espera para bater num professor que tinha repreendido o filho', contou Domingas Velez.

Contactado pelo CM, o assessor do Ministério da Educação sublinhou que 'as aulas continuam'.

Também na Escola Secundária Mães D’Água, na Falagueira, Amadora, os problemas de violência sucedem-se e os alunos ponderavam fazer hoje greve às aulas para exigir mais policiamento. 'A semana passada um aluno foi esfaqueado à porta da escola, perfuraram-lhe um pulmão e teve de ser operado. Todos os dias há pancadaria e assaltos', contou ao CM a mãe de um aluno. O CM tentou falar com a presidente do Conselho Executivo que esteve sempre indisponível.

'SITUAÇÃO MUITO GRAVE': João Grancho, Pres. Associação Nacional Professores

Correio da Manhã – A demissão do Conselho Executivo (CE) de uma escola devido à violência é preocupante?

– É uma situação extrema e, se o CE agiu assim, é porque a situação é muito grave.

– A presidente do CE culpa os 'alunos problemáticos provenientes de bairros sociais desfavorecidos'.

– Nas escolas complicadas, as situações de convivência têm vindo a extremar-se e a intervenção deve ser imediata sempre que é solicitado reforço de meios.

– Na Linha ‘SOS Professor’ tem havido aumento de queixas de violência?

–Temos mantido o ritmo normal. Estamos no início do ano e não houve incremento significativo. n

FENPROF SURPRESA COM REUNIÃO

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) ficou surpreendida com notícias de uma reunião que iria realizar amanhã com os movimentos de professores para tentar acordar uma manifestação única. 'Uma professora contactou-nos, em nome dos movimentos, e ficou combinado um encontro informal para quarta-feira, mas não com a carga que lhe querem dar, inclusive com ordem de trabalhos definida.

Até os nossos colegas da plataforma sindical ficaram surpreendidos', disse ao CM Mário Nogueira, da Fenprof, acrescentando: 'Vamos ouvir o que têm para nos dizer. A nossa manifestação é dia 8 e quem quiser vir, venha que faz falta.'

NOTAS

MAIS POLICIAMENTO

O director Regional de Educação do Alentejo, José Verdasca, reuniu com professores e pais e ficou decidido que será pedido reforço do policiamento e maior controlo no acesso dos pais ao interior da escola.

SEM VIDEOVIGILÂNCIA

A escola de Beja não tem videovigilância, que será implementada no próximo ano lectivo.

LISBOA COM 67 CASOS

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa registou este ano 67 casos de violência na escola.

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