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Correio da Manhã

Sociedade
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Faculdade de Medicina da U.Porto contra interrupção da formação médica

Diretor considera que as medidas não tomam em consideração realidades diferentes e específicas.
Lusa 21 de Janeiro de 2021 às 10:53
Universidade do Porto
Universidade do Porto FOTO: Peter Spark
O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto avaliou esta quinta-feira o encerramento das escolas médicas como "contraproducente", uma vez que os finalistas estão integrados nos hospitais e podem apoiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Embora considere que as medidas de fecho das escolas e universidades "pecam por tardias", em declarações à Lusa, Altamiro da Costa Pereira defende que, "sendo generalistas, não tomam em consideração realidades diferentes e específicas".

Em seu entender, o fecho das escolas há muito que se impunha por serem "óbvios focos de contágio", devido "às inevitáveis falhas de segurança" acarretadas pela presença das crianças e adolescentes em grupo e em convívio social.

"Já em muitas faculdades, tal como a FMUP, o processo educativo presencial não só foi reduzido há muito ao mínimo indispensável (com aulas teóricas e teórico-práticas de caráter remoto) como as necessárias aulas presenciais (em contexto de em enfermarias) têm vindo a ser realizadas em rigorosas condições de segurança, em tudo análogas às que têm os profissionais de saúde que trabalham nos hospitais", sustenta o catedrático.

Assim, na opinião do diretor da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), os cursos de medicina, nomeadamente o ciclo clínico (correspondente aos últimos anos da formação), "devem constituir uma exceção" às medidas que hoje serão oficialmente anunciados pelo Governo.

"Não podemos e não devemos impedir que se perca esta enorme necessidade e oportunidade de formação nos nossos estudantes de medicina, em nome das urgentes necessidades do SNS e das nossas populações", defende Altamiro da Costa Pereira.

Nestas circunstâncias, o diretor considera que "o eventual encerramento compulsivo da FMUP não só não se justifica do ponto de vista de saúde pública, como põe em causa um direito dos estudantes e, sobretudo, uma necessidade fundamental em tempos de pandemia, que é o de poderem aprender e ser formados como futuros profissionais de saúde, nomeadamente no período de estágios clínicos durante o seu último ano de formação universitária".

Altamiro da Costa Pereira defende ainda que os alunos do último ano do curso devem também ser vacinados, à semelhança dos profissionais de saúde.

O Governo vai decidir hoje, em Conselho de Ministros, o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino, do Básico ao Superior, com efeitos a partir de sexta-feira, disse à agência uma fonte do executivo.

"A informação que o Governo recebeu na quarta-feira, após reunião com epidemiologistas, foi considerada muito relevante e determinante para a decisão, tendo em conta o crescimento da variante britânica do novo coronavírus em Portugal", salientou a mesma fonte.

Com esta medida, o objetivo principal do Governo, "é isolar todo o sistema escolar", já que, "não havendo aulas, evita-se que as pessoas sejam forçadas a sair de casa".

Portugal registou na quarta-feira 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção com o novo coronavírus, os valores mais elevados desde o início da pandemia, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim da DGS, estão internadas 5.493 pessoas internadas, mais 202 do que na terça-feira, das quais 681 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais 11, dois valores que também representam novos máximos da fase pandémica.

O número de internamentos está a subir desde o dia 1 de janeiro, dia em que estavam 2.806 pessoas internadas.

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