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Correio da Manhã

Sociedade
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“Falta coragem para reconhecer as falhas”, diz mulher de doente que morreu à espera de exame oncológico

Teresa Marques, viúva de António, não foi contactada por nenhuma entidade dois meses após denúncia.
Diana Santos Gomez 27 de Junho de 2019 às 01:30
Teresa Marques lamenta que nenhuma entidade a tenha contactado
IPO de Lisboa
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Teresa Marques lamenta que nenhuma entidade a tenha contactado
IPO de Lisboa
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Teresa Marques lamenta que nenhuma entidade a tenha contactado
IPO de Lisboa
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IPO de Lisboa
O processo não é transparente, falta coragem das entidades para reconhecer as falhas do sistema".

As palavras de indignação são de Teresa Marques, viúva de António, doente de 61 anos diagnosticado com cancro do pulmão.

O homem morreu no dia 27 de março sem fazer quimioterapia, devido ao atraso do resultado do exame decisivo enviado pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), enviado a 23 de janeiro para o Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

Quase dois meses após ter denunciado ao CM a demora que comprometeu o tratamento do marido, Teresa continua sem obter uma reação das entidades envolvidas. "É vergonhoso nenhuma instituição, pelo menos por respeito, me ter contactado", lamenta.

Esta quarta-feira, foi a vez do IPO de Lisboa ser ouvido no Parlamento a propósito do atraso da análise. José Cabeçadas, diretor do Serviço de Anatomia Patológica, admitiu que foi "demasiado longo" o tempo de espera até ao processamento da análise.

Questionado pelo CM, o IPO confirmou que alterou os procedimentos das amostras: implementou um "formulário" único para reunir as informações do doente, e as amostras incompletas não são devolvidas até chegarem todos os dados.

O IPO diz que foi pela "segurança" da identificação do doente que exigiu ao CHUA o termo de responsabilidade. 

IPO tem duas amostras retidas
Estão retidas pelo IPO de Lisboa duas amostras de exames de anatomia patológica, devido à falta de informação, apurou o CM.

As amostras provêm de hospitais privados. O CM questionou o IPO se esta situação põe em risco os doentes em causa, mas não obteve esclarecimentos. 

Pormenores
Entidades no Parlamento
A Ordem dos Médicos e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve negaram no Parlamento que tenham sido questões financeiras a atrasar o exame. O hospital admitiu que o IPO exigiu um "termo de responsabilidade".

Já a OM considerou que terá sido uma "questão administrativa imposta pelo IPO".

Mais casos no Algarve
Pelo menos cinco casos de doentes à espera dos resultados dos exames foram detetados no Hospital de Portimão e outros em Faro. Estas unidades integram o CHUA.

"Bracarenses não vão tolerar retrocessos"
"Braga e os bracarenses não vão tolerar retrocessos nos cuidados de saúde à população", avisou esta quarta-feira Ricardo Rio, presidente da Câmara, na cerimónia dos 10 anos de parceria do Grupo Mello Saúde com o hospital da cidade.

O grupo privado deixa a gestão da unidade a 31 de agosto e o autarca exigiu ao Estado, na cerimónia que serviu de despedida, "a mesma excelência nos cuidados" a que os bracarenses estão habituados.
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