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Correio da Manhã

Sociedade
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Fecho da Urgência obriga a fazer 50 km

O fecho da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Torres Vedras, previsto num estudo do Ministério da Saúde, vai obrigar os doentes a recorrer ao Hospital das Caldas da Rainha. Nalguns casos, a distância é superior a 50 quilómetros, situação que está a alarmar utentes, bombeiros e autarcas.
24 de Fevereiro de 2012 às 01:00
Estudo do Ministério da Saúde aponta para o fecho da Urgência médico-cirúrgica em Torres Vedras
Estudo do Ministério da Saúde aponta para o fecho da Urgência médico-cirúrgica em Torres Vedras FOTO: Pedro Catarino

Fernando Barão, comandante dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, não duvida que a passagem da urgência médico--cirúrgica para urgência básica na cidade é um "mau serviço" para os 80 mil habitantes do concelho (100 mil no Verão, devido às praias). "Não tenho dúvida que muita gente vai morrer na estrada a caminho das Caldas da Rainha", avisa Fernando Barão. Segundo o comandante, não haverá ambulâncias que cheguem para responder a um pedido de socorro, porque as viaturas estarão nas Caldas ou em trânsito para essa cidade.

O presidente da autarquia torreense, Carlos Miguel, teme que a urgência das Caldas não tenha capacidade de resposta, o que obrigará os doentes a duas viagens: de Torres para as Caldas e das Caldas para Lisboa. "É um absurdo concentrar a urgência nas Caldas quando os dois serviços, muitas vezes, já não têm capacidade de resposta", afirma. Nas Caldas, a reorganização dos hospitais está a deixar a comunidade "perplexa". O bastonário dos Médicos, José Manuel Silva, lamenta que a reorganização esteja a ser feita "sem qualquer consulta ou informação prévia à Ordem dos Médicos".

O bastonário assinala ainda que, se a Lei dos Compromissos aplicada à área da Saúde não for mudada "todos os hospitais públicos vão encerrar ou, então, os seus conselhos de administração terão de ter uma fortuna colossal para responder pelas despesas de funcionamento".

Preocupação no Ribatejo

A reestruturação do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que engloba os hospitais de Tomar, Torres Novas e Abrantes, está a preocupar os bombeiros da região, que receiam maiores demoras, sobretudo na urgência. Anteontem, nove ambulâncias de socorro esperaram perto de três horas, em Torres Novas, por macas retidas na urgência. "Tivemos muita dificuldade em libertar as macas", disse o adjunto de comando dos Bombeiros de Torres Novas, Luís Duarte, corporação que teve quatro ambulâncias retidas. O mesmo problema foi sentido pelos bombeiros do Entroncamento. A partir de Março, a urgência médico-cirúrgica fica em Abrantes, enquanto os restantes asseguram só a básica. Em Torres Novas fica a Medicina Interna e a Pediatria, em Tomar o bloco operatório e a Otorrinolaringologia, e em Abrantes a Ortopedia e a Medicina Interna.

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