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Correio da Manhã

Sociedade
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Fenprof exige realização de concurso de acesso este ano

Um concurso nacional de admissão de professores em 2012, regras de estabilidade e medidas pelo futuro da educação em Portugal são as exigências deixadas esta sexta-feira pela Fenprof numa moção a entregar à tutela.
24 de Fevereiro de 2012 às 21:05
Na opinião de Mário Nogueira, a vigília de 24 horas frente ao Ministério da Educação, que começou nesta sexta-feira às 15h00, "faz todo o sentido"
Na opinião de Mário Nogueira, a vigília de 24 horas frente ao Ministério da Educação, que começou nesta sexta-feira às 15h00, 'faz todo o sentido' FOTO: Lusa

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) adiantou que a principal exigência da moção aprovada é a realização de um concurso nacional de acesso, sustentando que mesmo que haja concursos extraordinários, se estes depois não tiverem vagas, "como no último concurso em 2009", os concursos "não servem para nada".

"Vamos exigir um concurso este ano, vamos exigir regras de estabilidade este ano para os professores e vamos sobretudo exigir que as medidas que sejam tomadas tenham como objectivo principal garantir o futuro da educação em Portugal, combater os problemas que nós hoje temos no ensino, o insucesso e o abandono, e também permita alargar a escolaridade", explicou Mário Nogueira.

No entanto, de acordo com o dirigente, mesmo que estas medidas sejam tomadas e tendo em conta o actual quadro de racionalização, "os professores vão faltar".

Na opinião de Mário Nogueira, a vigília de 24 horas frente ao Ministério da Educação, que começou nesta sexta-feira às 15h00, "faz todo o sentido" quando se está perante uma Escola que "nos últimos seis anos perdeu 23 mil professores para aposentação e recebeu em substituição 396".

"Estamos a falar de uma Escola que hoje, em muitos estabelecimentos, mais de metade dos professores são contratados a prazo, estamos a falar de professores que hoje têm 25 anos de serviço e não sabem se no dia seguinte ainda estão a trabalhar, estamos a falar de um grupo profissional que tem uma taxa de precariedade de 30 por cento", defendeu.

Nesse sentido, justificou que a presença da Fenprof, representada por algumas dezenas de professores, serve para fazer uma denúncia, mas também uma exigência.

"A de que se dê estabilidade não só aos professores, mas também que se dêem condições às escolas para que possam fazer o que lhes é essencial: combater as elevadíssimas taxas de abandono e insucesso escolar e poder responder positivamente ao alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, que é já em Setembro", apontou.

 


Presentes no arranque da vigília o deputado do Partido Comunista Miguel Tiago sustentou que não se pode ter uma escola pública de qualidade sem professores.

"Enquanto houver insucesso escolar, enquanto houver abandono, enquanto houver crianças e jovens que não conseguem completar o seu percurso, então não temos professores a mais", defendeu o deputado comunista.

A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago, por seu lado, aproveitou para lembrar que o seu partido apresentou hoje na Assembleia da República um projecto de resolução com princípios orientadores para os concursos de professores.

"Umas das questões urgentes é que haja um concurso de vinculação de professores porque as escolas não podem continuar a trabalhar todos os anos com professores que não conhecem a unidade educativa. Eles são necessários e têm de ser vinculados às escolas", disse a deputada, acrescentando que a avaliação dos professores é outra matéria contestada.

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, disse, por seu lado, que "a precariedade não resolve problemas, antes os agrava" porque "está associada à diminuição de salários, à diminuição de direitos e também a uma insegurança permanente".

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