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Filhos adolescentes ignoram as mães? Estudo diz que sim e explica porquê

Cérebro adolescente desconeta-se da voz da mãe devido ao interesse por convívio social.
Correio da Manhã 7 de Maio de 2022 às 11:15
O cérebro dos jovens a partir dos 13 anos desconeta-se da voz das mães
O cérebro dos jovens a partir dos 13 anos desconeta-se da voz das mães

O cérebro dos jovens a partir dos 13 anos desconecta-se da voz das mães, segundo uma investigação da Escola de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos da América. "É por volta dos 13 anos que as crianças não acham a voz materna especialmente gratificante, e sintonizam mais as vozes que provêm de estranhos", conclui o estudo publicado pelo Journal of Neuroscience no fim de abril.

Os especialistas garantem que a mudança de comportamento com as progenitoras entre a infância e a adolescência está dentro do "processo normal de crescimento", como explica o El País.

A partir da adolescência é habitual os jovens começarem a desafiar os pais e a comunicação entre ambos diminuir. O estudo refere que isso acontece devido a "uma mudança no desenvolvimento neurológico no mecanismo de recompensa da voz da mãe". A pesquisa analisou esta mudança de comportamento dos filhos para com as mães em 46 jovens, dos sete aos 16 anos.

Foram utilizadas ressonâncias magnéticas funcionais que "permitem mostrar em imagens as regiões cerebrais ativas" com o objetivo de explicar a separação entre progenitores e filhos, enquanto os sujeitos ouviam gravações das próprias mães e de mulheres desconhecidas. Os mais velhos reagiram mais às vozes desconhecidas, em termos técnicos, a área do cérebro que se ocupa da recompensa iluminou-se mais neste caso, no entanto, em crianças mais novas aconteceu o oposto.

O cérebro adolescente desconeta-se da voz da mãe devido ao interesse por convívio social e "a outros tipos de sinais sociais". "Isto é um sinal que ajuda os adolescentes a envolverem-se com o mundo e a formar conexões que lhes permitem ser socialmente habilidosos fora das famílias", afirma Vinod Menon, um dos autores do estudo.

"Para um bebé, a voz da mãe é a sua salvação e sustento alimentar, para um adolescente de 13 anos é a voz do seu melhor amigo ou de um possível companheiro", diz Mario Fernández, professor do departamento de Neurociência da faculdade de Medicina da Universidade Autónoma de Madrid, ao El País. Esta mudança de comportamento e influência emocional também acompanha o início do processo reprodutivo nos jovens e as hormonas que daí advêm.

"Os pais devem perceber esta influência (de amigos e outros fora do seio familiar) e integrá-la no processo educativo, dando-lhe importância", acrescenta o professor.

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