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Correio da Manhã

Sociedade
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Fome por negligência da parte da família

Dulce Rodrigues, de 60 anos, denunciou que os netos, Flávia, de 7 anos, e Felipe, de 9 anos, alunos da Escola Básica Ducla Soares, em Lisboa, foram impedidos de almoçar na escola durante dois meses por causa de uma dívida de 60 euros das refeições.
24 de Dezembro de 2012 às 01:00
Priscila não tem dinheiro mas não se queixou à escola
Priscila não tem dinheiro mas não se queixou à escola FOTO: Jorge Paula

A direcção da escola desconhecia o caso. "Não foi feita nenhuma queixa por parte da família, nem nenhum funcionário reportou o caso. Esta carência não estava sinalizada, tendo a família optado por as crianças almoçarem em casa. Estamos a averiguar o caso, mas não há registo de dívidas", garantiu ao CM João Paulo Leonardo, presidente do Agrupamento de Escolas Baixa Chiado (ver caixa).

A mãe das crianças, Priscila Rodrigues, de 29 anos, reconheceu ontem ao CM que, após deixar de pagar os almoços, a situação se arrastou. "Não tinha como pagar os almoços e optei, em Outubro, por o pai ir buscá-los para lhes dar comida, porque sem o pagamento eles não podiam almoçar. Muitas das vezes, ele adormecia", afirmou Priscila, que pagou a dívida este mês, mas que nunca se queixou à escola. Priscila separou-se do marido pouco depois do nascimento de Gustavo, de 7 meses. A família, oriunda do Brasil, está em situação ilegal.

ALUNOS VÃO BENEFICIAR DA REFEIÇÃO ESCOLAR

João Paulo Leonardo, director do Agrupamento de Escolas Baixa-Chiado, considera estranho que não tenha havido nenhum contacto directo dos pais com a escola. "Poderá tratar-se de uma disputa familiar, para onde a escola foi arrastada. Neste caso, há que alertar a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Quando as aulas recomeçarem, os alunos podem beneficiar de apoio da refeição escolar", refere. O presidente da Junta de Freguesia de São José denunciou o caso ao vereador da Educação da autarquia.

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