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Correio da Manhã

Sociedade
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Fraude de 63 milhões de euros em farmácias

Investigação apreendeu obras de arte, joias e um T5.
Ana Luísa Nascimento 12 de Junho de 2016 às 01:00
Circulação ilegal de medicamentos resultava de um esquema em que estiveram associados os nomes de mais de 30 farmácias
Circulação ilegal de medicamentos resultava de um esquema em que estiveram associados os nomes de mais de 30 farmácias FOTO: Getty Images
Quatro anos depois da Operação SOS Pharmacias, que levou a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ a fazer buscas em dezenas de farmácias, o Ministério Público acusou agora o farmacêutico Nuno Alcântara Guerreiro de abuso de confiança, insolvência dolosa, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Segundo a acusação, que o CM consultou no DCIAP, Alcântara Guerreiro adquiriu 30 farmácias, entre 2000 e 2010, "através de interpostas pessoas que se limitavam a figurar como adquirentes nas escrituras de aquisição" e concebeu um esquema de aquisição de medicamentos, que não pagava, e eram canalizados para a Healthcare, simulando a devolução. Durante esse período, e aproveitando-se das "disponibilidades financeiras" das 30 farmácias, de Rio Maior a Olhão, "obteve um montante global não exatamente apurado, mas não inferior a 63 milhões de euros". Com prejuízo para as sociedades das farmácias, muitas das quais foram à falência, Nuno Alcântara Guerreiro comprou carros topo de gama, entre os quais um Lamborghini, vários imóveis, joias, relógios e obras de arte. As autoridades apreenderam pinturas, serigrafias, joias, 11 relógios e uma das suas casas, um T5 na Parede. No entanto, o farmacêutico construiu um património muito mais vasto: só em Albufeira tinha duas moradias e dois terrenos para construção, uma moradia em Lagos, um T8 em Olhão, uma casa em Carcavelos e um prédio rústico em Olhão. Em 2007, Alcântara Guerreiro comprou um barco de 1,5 milhões de euros.

Além de Alcântara Guerreiro, foi também acusado Luís Nascimento, por um crime de branqueamento de capitais em coautoria, por ter recebido na sua conta duas transferências de milhares de euros de duas farmácias, que sabia que "tinham origem ilícita", e das quais o farmacêutico se apoderou.
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