Trabalham seis horas por dia, de segunda a domingo, e recebem apenas 43 cêntimos por hora. No total, os quatro Pais Natal vão receber 83 euros, no final deste mês, por animar as casinhas natalícias do centro histórico de Penafiel. No entanto, continuam a ganhar o subsídio de desemprego, alimentação e deslocação. Ao CM, os animadores, sem trabalho há vários meses, garantiram não se sentir "explorados" com o contrato da Associação Empresarial.
"Como não tínhamos pessoal capaz de desempenhar as funções de Pai Natal fomos ao centro de emprego e recrutámos, no programa ocupacional, candidatos que se mostraram altamente interessados em praticar as acti-vidades", começou por explicar Carlos Moura, presidente da Associação Empresarial de Penafiel.
Para o responsável, o objectivo é animar a cidade mas também dar um novo ânimo aos desempregados da cidade. "Queríamos dar um novo conforto a quem não tinha emprego. Eles continuam a receber o subsídio de desemprego e agora recebem mais 20% pelo programa ocupacional", frisou.
As animações de Pai Natal arrancaram no dia 1 de Dezembro e terminam dia 24. "Trabalham sempre, mas de dia 24 a dia 31 vão estar de folga, para compensar os dias seguidos que trabalharam", referiu.
Já os Pais Natal garantem estar bem. "Se não estivesse aqui, estava em casa sem fazer nada. Não me sinto explorado. O dinheiro que vem a mais é bom", contou Manuel Mendes.
SALÁRIO MÍNIMO PARA ENGENHEIRO
Serralheiros e canalizadores podem conseguir ordenados mais altos do que advogados, nas 3000 ofertas de emprego disponíveis em Portugal, segundo o portal do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Na página da internet do instituto estão publicados anúncios onde, por outro lado, se oferece o salário mínimo nacional, 485 euros, para engenheiros.
UM MILHÃO DE PRECÁRIOS
Há cada vez menos emprego e mais precários em Portugal. Segundo os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao terceiro trimestre do ano, havia 665 mil portugueses que só tinham um emprego em part-time. Os contratos com um vínculo precário estão a subir e já atingem 639 mil trabalhadores.
Uma das situações mais comuns para os jovens que conseguem entrar no mercado de trabalho são os recibos verdes. Estima-se que seja um milhão de precários a recibos verdes.
Mas são cada vez mais os que não conseguem trabalho, precário ou não. A taxa real de desemprego está nos 23 por cento, o que implica 1,3 milhões de desempregados no País. Destes, apenas 300 mil recebem subsídio e quase igual número procura emprego há mais de dois anos, sem sucesso. Motivo que levou 249 mil portugueses simplesmente a desistirem de procurar trabalho.
O subsídio de desemprego, que já levou um corte na sua duração e valor, vai em 2013 ter uma redução de 6%, em nome de uma "contribuição" para o Estado.
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