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Correio da Manhã

Sociedade
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Garcia de Orta revela custos da saúde

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, iniciou esta terça-feira a distribuição de um documento informativo, gratuito, com os custos dos cuidados de saúde prestados aos utentes admitidos nas urgências. A iniciativa, enquadrada no programa XIX do Governo, pretende sensibilizar os utentes para a despesa suportada pelo Serviço Nacional de Saúde e levar a uma utilização mais racional e adequada do apoio médico.
30 de Outubro de 2012 às 20:17
Numa fase inicial, a nota informativa é distribuída aos doentes que tenham obtido alta hospitalar na urgência geral, pediátrica e ortopédica
Numa fase inicial, a nota informativa é distribuída aos doentes que tenham obtido alta hospitalar na urgência geral, pediátrica e ortopédica FOTO: Pedro Catarino

Para Susete Valente, residente no Seixal, esta “é uma boa ferramenta”, pois “permite-nos ter uma maior noção dos valores envolvidos”.

“Temos sempre a ideia de que ninguém nos ajuda em nada, o que não é o caso. Com este documento, podemos ficar a conhecer os descontos que temos quando beneficiamos dos cuidados especializados nos hospitais públicos”, declarou a assistente de consultório de 33 anos que não pagou a entrada na urgência do filho menor, no valor de 60 euros, nem a injecção que este teve de levar, de 3,50 euros, devido ao estatuto de isenção das taxas moderadoras.

Ainda assim, há quem acredite que a factura a pagar continua a ser muito pesada.

“Vim às urgências porque sofri uma queda e quase abri a cabeça. Acabei por fazer uma TAC [tomografia axial computorizada]. Segundo o documento que me entregaram, a urgência custou 20 euros e a TAC 14 euros. A minha reforma é miserável. São 274 euros. Mesmo tendo pago 20 euros da urgência, acho que é muito. Nem devia pagar nada. Mas é o governo que temos”, lamentou Maria Odete Costa, reformada de 73 anos, residente na freguesia do Pragal, em Almada.

Numa fase inicial, a nota informativa é distribuída aos doentes que tenham obtido alta hospitalar na urgência geral, pediátrica e ortopédica. Posteriormente, a prática será alargada às consultas externas e ao internamento.

De acordo com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o Hospital de S.José (Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE) foi o primeiro a adoptar esta iniciativa, no âmbito de um projecto-piloto que, em última análise, pretende ter uma cobertura nacional.

“Se esta experiência obtiver uma avaliação positiva, a informação sobre custos de saúde vai estar disponível em todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde que têm sistema (informático) SONHO, que representam 80% dos hospitais do país”.

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