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Correio da Manhã

Sociedade
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Governo admite recorrer a pediatras do privado para assegurar urgência no Garcia de Orta

Falta de pediatras no hospital em causa já se arrasta há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais do serviço.
Lusa 15 de Outubro de 2019 às 19:41
Hospital Garcia de Orta, em Almada
Hospital Garcia de Orta, em Almada FOTO: Pedro Dias Coelho
O serviço de urgências pediátricas no hospital Garcia de Orta poderá ser assegurado com médicos do setor privado até que haja uma solução definitiva, adiantou esta terça-feira o Governo, que admite rever o número de urgências pediátricas abertas em Lisboa.

"Poderemos ir buscar médicos pontualmente aos hospitais privados para assegurar o serviço onde há carências no serviço público, até que, naturalmente, haja possibilidade de colmatar essas falhas de forma mais firme e segura, nomeadamente através dos concursos, que também vão abrir, e, naturalmente, o Garcia de Orta terá as vagas necessárias para resolver os seus problemas", disse esta terça-feira aos jornalistas o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos.

O secretário de Estado falava à entrada para a sessão de encerramento da conferência "SNS: O futuro começa hoje!", que esta terça-feira decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Francisco Ramos afirmou que a falta de médicos pediatras nas urgências do hospital Garcia de Orta, em Almada, "é uma situação que não é possível resolver de um momento para o outro" e que têm que ser feitos esforços "para que haja soluções a curto prazo", com a ajuda de outros hospitais públicos e com "a colaboração de entidades privadas", que, para além de hospitais privados, pode passar também pelo setor social, como as misericórdias.

"São essas entidades que estão a ser convocadas, mas o que gostava de assegurar aos portugueses é que tudo será feito para que os serviços continuem a ser prestados e com a qualidade que é devida a todos", disse.

Questionado sobre o cenário de rever a organização das urgências pediátricas em funcionamento na área metropolitana de Lisboa, o secretário de Estado admitiu que possa haver uma revisão.

"Acho que vale a pena questionar se, nomeadamente na cidade de Lisboa, faz sentido ter tantas portas abertas, sobretudo com o rótulo de urgência polivalente, mas esse é um trabalho que, naturalmente, terá que ser feito", afirmou.

O Hospital Garcia de Orta informou na segunda-feira que a urgência do serviço de pediatria encerraria durante a noite e madrugada, até às 08:30 da manhã desta terça-feira, por "insuficiência de médicos pediatras para cumprir a escala noturna".

Este cenário já tinha acontecido na noite de sábado e na madrugada de domingo.

A falta de pediatras neste hospital já se arrasta há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais do serviço, sendo que o lançamento de concursos também não foi suficiente para colmatar a carência porque "ninguém concorreu", segundo o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

Numa carta enviada ao bastonário dos Médicos no início deste mês, a que a Lusa teve acesso, os pediatras deste hospital pediram a intervenção urgente da Ordem na situação do serviço de urgência pediátrica por considerarem que não há condições mínimas de segurança para os doentes em vários momentos.

Em declarações à Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães considerou que o encerramento da urgência pediátrica do Garcia de Orta na noite de sábado representou uma "falência do Ministério da Saúde e do Estado", que está há meses sem resolver a situação.
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