Ministro das Infraestruturas e da Habitação disse que a tragédia de Entre-os-Rios deixou uma lição para quem hoje governa, sublinhando que "nada substitui a minuciosa e exigente inspeção" das infraestruturas.
O ministro das Infraestruturas e da Habitação assegurou esta quarta-feira que o Governo está a trabalhar para que não se repita uma tragédia como a ocorrida há 25 anos, com a queda da ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva.
"Hoje viemos homenagear as vítimas e as famílias, mas não queremos que isto se repita. Nós, enquanto governantes (...), temos que nos responsabilizar e corresponsabilizar por garantir que não mais, no futuro, volte a acontecer uma tragédia como aquela que aconteceu aqui", disse Miguel Pinto Luz.
O governante falava aos jornalistas em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, no final da sessão solene do 25.º aniversário da queda da ponte Hintze Ribeiro, uma das maiores tragédias rodoviárias em Portugal que resultou em 59 mortos.
No seu discurso, o ministro disse que a tragédia de Entre-os-Rios deixou uma lição para quem hoje governa, sublinhando que, por mais sólidas que pareçam as infraestruturas, "nada substitui a sua minuciosa e exigente inspeção".
"Não pode haver infraestruturas em risco. Não pode haver imprevidência injustificada. Não pode haver qualquer desinteresse por esses bens maiores que são a vida e a integridade física dos cidadãos", afirmou o ministro, realçando que o Estado não pode falhar como falhou há 25 anos.
Para que esta tragédia não se repita, Miguel Pinto Luz recordou que o Governo lançou um desafio ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para, no prazo de um ano, apresentar um relatório exaustivo de tudo aquilo que são as pontes, as infraestruturas, os taludes, os muros de contenção, tudo aquilo que são infraestruturas absolutamente críticas.
Apesar desta avaliação independente, o governante tranquilizou os portugueses, adiantando que as Infraestruturas de Portugal e os concessionários das autoestradas fazem uma monitorização permanente das infraestruturas.
Na mesma altura, o ministro anunciou o lançamento do concurso público para a construção da fase final do IC35 entre que irá ligar Penafiel a Castelo de Paiva, num investimento de 91 milhões de euros, cumprindo assim uma das promessas feitas há 25 anos pelo Governo de António Guterres.
Dos 12 quilómetros previstos desta via, apenas foi construído o troço entre Penafiel e Rans, faltando fazer o troço que irá lugar Rans a Entre-os-Rios, o que levou o ministro das Infraestruturas a dizer que o Estado falhou duplamente.
"O Estado falhou na não monitorização daquela ponte, e por isso tivemos as vítimas, tivemos a tragédia, mas depois falhou quando se comprometeu com as populações e com a população de Castelo de Paiva, com os paivenses, em fazer um conjunto de infraestruturas que eram de enorme justiça", referiu.
O governante disse que o Governo tem de ser uma pessoa de bem e cumprir a palavra dada, prometendo que não descansará enquanto não vir as máquinas no terreno.
"Eu próprio quero ver as máquinas no terreno e quero ver a obra acontecer. E aí, podemos dizer que o contrato social que celebrámos com os paivenses teve um compromisso garantido. E só aí. (...) Não descansarei enquanto as obras não estiverem no terreno", afirmou.
Relativamente à variante à Estrada Nacional (EN) 222, outra das promessas feitas após a queda da ponte, Pinto Luz referiu que a obra já está adjudicada e deverá ser consignada em junho.
Na mesma ocasião, o presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Ricardo Cardoso, saudou o empenho do ministro no avanço destas obras, adiantando que, 25 anos depois, está finalmente próxima a concretização destas promessas há muito aguardadas pela população.
"Estas infraestruturas não são apenas estradas. São instrumentos de coesão territorial, são fatores de desenvolvimento económico, são condições de segurança, são oportunidades para fixar população, atrair investimento e criar emprego", sublinhou o autarca, para quem estas promessas só ganharão plena credibilidade aos olhos da população quando se transformarem em obras visíveis no terreno.
A Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, e Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro onde seguiam 53 passageiros e três automóveis com seis pessoas. Não houve sobreviventes.
As cerimónias oficiais para assinalar a data incluem uma missa de homenagem às vítimas, o lançamento de flores à hora do acidente, junto ao rio Douro, e a inauguração de um memorial (25 anos) nas freguesias envolvidas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.