Bingo do Boavista tinha 62 trabalhadores em atividade antes de encerrar e "faturava mais de seis milhões de euros por ano".
O Governo está desenvolver o trabalho no âmbito das suas competências e a concessionária Pefaco foi notificada para se pronunciar por escrito sobre o projeto de decisão do Bingo do Boavista, avançou hoje à Lusa fonte da Secretaria de Estado do Turismo.
"O Governo continua a acompanhar a situação com toda a atenção e a desenvolver o trabalho no âmbito das suas competências. Cumprindo os trâmites legais, a concessionária foi já notificada para se pronunciar por escrito sobre o projeto de decisão, sendo que a Secretaria de Estado do Turismo tem estado em contacto com as forças sindicais", disse hoje à Lusa aquela fonte.
Cerca de 30 trabalhadores do Bingo do Boavista concentraram-se hoje à porta do Ministério do Trabalho do Porto a pedir a reabertura da sala de jogo e o pagamento de salários em atraso, acusando a Pefaco de ilegalidades.
"Trabalhadores do Bingo do Boavista em luta pelo pagamento dos salários em atraso, pela reabertura da sala, e na defesa dos postos de trabalho", "Governo escuta, trabalhadores estão em luta", "Reabertura da Sala para já e sem demora", "Exigimos respeito pelos direitos dos trabalhadores do Bingo do Boavista" eram as frases que se liam na faixa e nos cartazes que os trabalhadores seguravam nas mãos, esta manhã, à porta do Ministério do Trabalho, na Avenida da Boavista, numa ação de protesto organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRS).
Alfredo Saramago, 56 anos de idade e com 38 anos de trabalho no Bingo do Boavista, é um dos que hoje se manifestavam à frente do Ministério do Trabalho, lamentando que a concessionária Pefaco lhe esteja a dever salários desde janeiro de 2021 e "50% do subsídio de Natal" de 2020.
"A empresa não cumpre com a lei. Não percebo como é que o Estado está a demorar tanto tempo a resolver este problema. Se a empresa não serve, que retirem a concessão e que abra um novo concurso. Agora, é muito triste trabalhar aqui uma vida inteira e, de um momento para o outro, ver uma empresa lucrativa -- é uma fábrica de fazer dinheiro -, que nos abandona", declarou à Lusa, reiterando que não entende porque é que a administração da Pefaco não paga "o imposto de selo e de jogo" e o Estado ainda não tirou a concessão à empresa.
Francisco Figueiredo anunciava hoje durante os protestos que a Secretaria de Estado do Turismo já tinha notificado a "Pefaco para retirar a concessão da sala do Boavista", mas lamentou que o Governo e Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) ainda não tivessem conseguido resolver o problema dos trabalhadores do Bingo do Boavista, prometendo "continuar a protestar até que a situação seja resolvida".
Os trabalhadores entregaram hoje uma moção aprovada pelos funcionários do Bingo do Boavista a exigir que o Governo e a ACT atuassem sem demora de acordo com as atribuições e competências, que fosse "retirada a concessão à Pefaco", "nomeada uma comissão administrativa", "reaberta a sala do Bingo do Boavista" e que fosse feito "um novo concurso para a concessão daquela importante sala de jogo de bingo da cidade do Porto com a garantia da manutenção de todos os postos de trabalho".
O Bingo do Boavista tinha 62 trabalhadores em atividade antes de encerrar e "faturava mais de seis milhões de euros por ano", lê-se na moção a que a Lusa teve acesso.
Até à data, a concessão da sala de jogo do bingo ainda não foi retirada à concessionária Pefaco S.A.
Devido à situação dos salários em atraso, os 62 trabalhadores do Bingo do Boavista suspenderam o contrato de trabalho em março de 2021 e estão a receber um "valor miserável equivalente ao subsídio de desemprego".
As salas de jogo do bingo, bem como os casinos, reabriram a 01 de maio. Contudo, as salas do bingo concessionadas à Pefaco não abriram e continuam todas encerradas.
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