Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
5

Governo reabilita o último homem fuzilado em Portugal

João Almeida foi condenado em 1917 por tentar desertar e passar segredos aos alemães.
Edgar Nascimento 15 de Setembro de 2017 às 08:47
Os restos mortais de João Ferreira de Almeida estão no cemitério militar português em Richebourg l’Avoué, França
Os restos mortais de João Ferreira de Almeida estão no cemitério militar português em Richebourg l’Avoué, França FOTO: Direitos Reservados
Eram 7h45 de 16 de setembro de 1917 quando João Augusto Ferreira de Almeida foi fuzilado. Julgado em Tribunal de Guerra, o soldado motorista, de 23 anos, estava acusado de traição: tudo fez para se entregar ao inimigo alemão e tentou saber o caminho para as linhas inimigas de forma a revelar a localização das tropas portuguesas, que combatiam na Flandres, na I Guerra Mundial.

Condenado à morte, foi o último fuzilado português. Agora, o Governo propõe a reabilitação moral do soldado que nasceu no Porto e cujos restos mortais jazem em Richebourg l’Avoué, em França.

Ontem, o Conselho de Ministros aprovou uma deliberação que propõe ao Presidente da República a adoção de ato gracioso de "reabilitação moral" de João Almeida.

"Não está em causa nem a reapreciação dos factos ou dos fundamentos da condenação, nem o fundamento de uma indemnização ou perdão de pena", refere o Governo, justificando o ato de reconciliação que permita "reabilitar o último condenado à morte" pelo Estado, na altura em que se se celebram 150 anos da abolição da pena de morte.

O nome do soldado passa a integrar aqueles "cuja memória é recordada nas cerimónias de evocação da I Guerra".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)