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Correio da Manhã

Sociedade
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Greve adia cirurgias

Algumas centenas de cirurgias programadas foram ontem adiadas em todo o País devido à terceira greve de enfermeiros deste ano. Na Região de Lisboa, foram canceladas 60 operações no Hospital de Santa Maria e cerca de 70 no Amadora-Sintra. No Porto, o Hospital de Santo António teve de adiar 54 cirurgias.
13 de Maio de 2009 às 00:30
As habituais horas de angústia nas salas de espera tornaram-se ontem mais penosas devido à greve dos enfermeiros
As habituais horas de angústia nas salas de espera tornaram-se ontem mais penosas devido à greve dos enfermeiros FOTO: Sérgio Lemos

Nos hospitais de Faro e Portimão apenas as cirurgias de urgência e oncológicas foram realizadas. No bloco operatório central dos Hospitais da Universidade de Coimbra, "todas as cirurgias programadas foram adiadas", garantiu Paulo Anacleto, coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do Centro. Como em todas as greves, os números da adesão divergem: o SEP aponta para 81,1 por cento, enquanto o Ministério da Saúde diz que a adesão rondou os 63 por cento.

A greve e a manifestação que se realizou em Lisboa, com a presença de cinco mil enfermeiros, visam protestar contra o actual processo de renegociação das carreiras destes profissionais. A grelha salarial é uma das principais batalhas.

De norte a sul foi visível o desalento de todos aqueles que procuraram aceder aos serviços de saúde. Muitos ficaram sem tratamentos de enfermagem e outros regressaram a casa sem as análises. "Fui fazer análises e demorou bastante até ser atendido." Alfredo Barata, de 69 anos, garante que esteve quase duas horas à espera no Hospital de Santa Maria. O habitual, "é meia hora".

A paralisação iniciou-se às 08h00 e perto das 13h00 encontravam-se duas dezenas de pessoas na sala de espera das Urgências do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão. Havia pessoas já com três horas de espera. Teresa Neves já lá estava há mais de hora e meia. Fracturou o braço direito no domingo, em Abrantes, e pretendia ser seguida por um ortopedista na cidade onde reside. Telefonou e garantiram-lhe que a greve não estava a afectar as Urgências. Da espera não se livrou.

DEPOIMENTOS

"NÃO HÁ NINGUÉM PARA TIRAR O GESSO": Maria L. Simões H. U. Coimbra

Viemos de Arganil para Coimbra, em vão. Vinha para tirar o gesso da perna do meu filho, mas não há ninguém para o fazer. Têm o direito à greve, mas podiam ter-nos avisado."

"NÃO TEMOS VACINAÇÃO PARA IR PARA ÁFRICA": Jorge Martinho C. S. Sete Rios

Há uma semana que tentamos ser vacinados contra a febre amarela e a tifóide, porque vamos viajar para África. Agora não sei como vamos fazer."

APONTAMENTOS

5 MIL EM MANIFESTAÇÃO

Cerca de cinco mil enfermeiros percorreram ontem as ruas de Lisboa entre o Ministério da Saúde, na av. João Crisóstomo, e a residência oficial do primeiro-ministro, em S. Bento.

CARREIRAS SÃO MOTIVO

O protesto foi marcado por quatro estruturas sindicais e visa contestar o actual processo de renegociação das carreiras. Na última reunião com o Governo, os enfermeiros acusaram a tutela de ter recuado em propostas já acordadas.

72,5% EM ÉVORA

No Alentejo, a greve teve a sua maior expressão no Hospital de Évora, com uma adesão de 72,5%, segundo os sindicatos. Tal como em outras unidades, apenas se realizaram as operações urgentes e as de oncologia.

TERCEIRA GREVE EM 2009

Esta foi a terceira paralisação dos enfermeiros desde o início do ano. Em Abril aderiram 77% dos enfermeiros.

SEM PENSO

Joana Pimentel foi aos centros de saúde de Miranda do Corvo e do bairro Norton de Matos (Coimbra) para fazer o penso a um quisto. Nos HUC também não teve sucesso. "Estou cansada", disse.

PORTO

Os enfermeiros concentraram--se em frente ao Hospital de São João. Segundo os sindicatos, a adesão no Norte variou entre os 72,5 por cento (C.H. Gaia) e os 98 por cento (Póvoa de Varzim).

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