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Greve de trabalhadores da AdP não pôs em causa tratamento de água para consumo, afirma sindicato

A paralisação de 24 horas foi decretada pelas duas estruturas sindicais afetas à CGTP.
Lusa 11 de Junho de 2021 às 20:12
Torneira de água
Torneira de água FOTO: Getty Images
Os trabalhadores do grupo Águas de Portugal (AdP) exigiram esta sexta-feira aumentos salariais com uma greve nacional de 24 horas, "com elevada adesão", e concentrações em vários pontos do país, mas asseguraram o tratamento da água para consumo, informou fonte sindical.

De acordo com um comunicado emitido pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e pela federação intersindical das indústrias transformadoras (Fiequimetal), esta foi uma "paralisação nacional com elevada adesão nas empresas do grupo" AdP.

Mário Matos, dirigente da Fiequimetal, confirmou a informação à agência Lusa, mas disse que hoje não será possível ter o apuramento final dos dados de adesão à paralisação porque muito trabalhadores estão em teletrabalho.

"Dos trabalhadores que estão no terreno, praticamente só trabalharam aqueles que asseguraram os serviços mínimos, mas quanto aos que estão em teletrabalho só saberemos quem fez greve daqui a alguns dias", afirmou.

No âmbito dos serviços mínimos, foi assegurado o tratamento de água para consumo e que não se verificassem derrames de água.

A greve de 24 horas foi decretada pelas duas estruturas sindicais afetas à CGTP, em protesto pela falta de respostas às reivindicações dos trabalhadores.

"Os trabalhadores lutam por aumentos salariais, pela valorização das carreiras, pelas 35 horas de trabalho semanais para todos, pela uniformização dos direitos, pela atribuição do subsídio de insalubridade, penosidade e risco, bem como pela atribuição de um subsídio de risco extraordinário, no quadro do atual surto epidémico", explicou Mário Matos.

O sindicalista lembrou que foi acordado em 2018 um Acordo Colectivo de Trabalho, que não está a ser cumprido na integra, e que desde então não houve qualquer aumento salarial porque a empresa não negociou o caderno reivindicativo apresentado em 2020 e em 2021.

"Isto está a afetar a tabela salarial que entrou em vigor em 2019, pois os três níveis salariais mais baixos já foram absorvidos pelo efeito do aumento do salário mínimo nacional", disse.

Durante a manhã realizou-se um conjunto de concentrações à porta das empresas, em vários pontos do país, com a participação global de centenas de trabalhadores.

Segundo a mesma fonte, em Lisboa, a concentração juntou várias dezenas de trabalhadores e sindicalistas, junto à Fábrica da Água de Alcântara (ETAR), e contou com a presença da secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.

O caderno reivindicativo dos trabalhadores da AdP prevê aumentos salariais de 90 euros por trabalhador, a fixação do salário mais baixo nos 850 euros, no curto prazo, um novo regime de carreiras, categorias profissionais e funções, a redução progressiva do horário de trabalho para as 35 horas semanais e a contratação de mais trabalhadores para assegurar um serviço público de qualidade, entre outras matérias.

"Os trabalhadores estão fartos e muito descontentes com a atual situação. Apesar dos lucros e dos investimentos avultados, a AdP continua a desvalorizar o trabalho e os trabalhadores", disse Mário Matos, adiantando que será iniciada uma nova ronda de plenários para os trabalhadores decidirem o que fazer.

O grupo AdP tem mais de 20 empresas e mais de 2.500 trabalhadores.

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