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Correio da Manhã

Sociedade
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Greve dos enfermeiros no "São João" com adesão superior a 70%

Apenas duas salas do bloco operatório estão operacionais.
2 de Setembro de 2016 às 15:57
Hospital de São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto FOTO: Rafaela Cadilhe
A greve dos enfermeiros do Hospital de São João (Porto) registou esta sexta-feira uma adesão de 74,5%, e das oito salas do bloco operatório que deviam estar a funcionar só estão duas operacionais, disse fonte sindical.

"A taxa de adesão foi de 74,5%", declarou hoje à Lusa Fátima Monteiro, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, referindo que apesar de os serviços mínimos estarem a ser assegurados, das oito salas de blocos operatórios que deviam estar a funcionar, apenas estão duas.

"Compromissos quebrados, Enfermeiros zangados. [António] Costa: 35 horas para todos já", era a frase inscrita numa faixa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) exposta à frente da porta principal do Hospital de São João, local onde se concentraram cerca de duas dezenas de enfermeiros que aderiram à greve, uma iniciativa que faz parte de um plano de luta nacional que arrancou em agosto e termina a 15 de setembro.

Os enfermeiros estão em luta para que o Governo permita a "admissão de mais enfermeiros" no Serviço Nacional de Saúde, pois "só no Hospital de São João são precisos entre 150 a 200 enfermeiros, disse a dirigente sindical Fátima Monteiro.

O SEP está também a exigir que todos os enfermeiros façam as "35 horas e que não haja discriminação", como é o que se verifica, explica a sindicalista, com os colegas que tem contrato individual de trabalho e que continuam a fazer 40 horas.

A reposição de valor do trabalho extraordinário das horas de qualidade a 100% é outra das reivindicações dos enfermeiros, que estão a recolher assinaturas para entregar um abaixo-assinado ao Conselho de Administração do Hospital de São João e, posteriormente, ao Ministério da Saúde e ao Ministério das Finanças sobre os "problemas gravosos" que a classe estão a viver, adiantou Fátima Monteiro.

"Os problemas são gravosos que existem nos serviços face à carência de enfermeiros e depois os colegas ainda fazem trabalho extraordinário só a 50% e que não lhes compensa sequer fazer, porque o pouco que ganham com a taxa de IRS ainda perdem dinheiro", acrescentou, lembrando que as "35 horas já são mais do que suficientes para a natureza da profissão".

Os enfermeiros não lidam apenas com o sofrimento físico, mas também com o psicológico e sofrimento social, já para não falar dos turnos que caracterizam aquela profissão "não são compatíveis nem com a vida social, nem familiar", observou aquela enfermeira e dirigente sindical.

A Lusa contactou a administração do Hospital de São João para conhecer os seus dados sobre a adesão à greve naquela instituição hospitalar, mas fonte das relações públicas remeteu para "mais tarde" essa informação.
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