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Greve dos trabalhadores dos bares dos comboios com adesão de 95%

Trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP iniciaram esta segunda-feira uma nova greve, por tempo indeterminado, em defesa dos direitos previstos no Acordo de Empresa por parte da Itau.

31 de agosto de 2026 às 16:00

A greve dos trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP está a registar uma adesão nacional de 95%, obrigando "a esmagadora maioria" das composições a partir sem bar a bordo, disse esta segunda-feira à Lusa fonte sindical.

"A esmagadora maioria dos comboios partiram sem bar a bordo. Aliás, diria mesmo que a novidade seria ter comboios com bares a funcionar, porque a adesão é massiva", afirmou à agência Lusa Luís Baptista, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.

A agência Lusa tentou, sem sucesso, ouvir a administração da Itau, empresa que desde de abril de 2025 explora o serviço de refeições dos bares dos comboios Alfa Pendular e Intercidades.

Segundo o responsável sindical, "no Porto a greve está muito próxima dos 100%, é praticamente total", enquanto em Lisboa a adesão está "perto dos 90%" e "só não é praticamente total porque há mais trabalhadores com contratos de trabalho mais precários, que têm medo de aderir nesta fase".

"Juntando a adesão do Porto em Lisboa, falamos de uma adesão nacional de 95%", salientou Luís Baptista, considerando tratar-se de "mais uma grande prova de luta e de unidade" dada pelos trabalhadores em defesa dos seus direitos.

Os trabalhadores dos bares dos comboios de longo curso da CP iniciaram esta segunda-feira uma nova greve, por tempo indeterminado, em defesa dos direitos previstos no Acordo de Empresa (AE) por parte da Itau.

Acusando a empresa de se "recusar, desde o primeiro dia, a respeitar direitos consagrados no AE", o sindicato refere que, "mais recentemente, agravou o conflito" ao passar ao "deixar de pagar os 22 dias de subsídio de alimentação previstos no acordo e passar apenas a pagar os dias efetivamente trabalhados".

Relativamente às reuniões "reiteradamente" pedidas desde "há vários meses" ao Governo, o sindicato diz continuar sem obter qualquer resposta, pelo que na terça-feira os trabalhadores irão concentrar-se frente à secretaria de Estado da Mobilidade "para exigir que seja marcada a reunião pedida à tutela".

A Federação dos Sindicatos da Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht) e o Sindicato de Hotelaria do Sul, afeto à CGTP, salientam ter tentado ao longo do último ano "resolver o conflito através da negociação, sem prejuízo dos trabalhadores e dos utentes da CP".

"Contudo, a Itau mantém a sua posição, provocando perdas de cerca de 200 euros mensais aos trabalhadores, apesar de receber milhões de euros da empresa pública CP para assegurar a concessão do serviço de cafetaria e refeições a bordo dos comboios de longo curso", sustentam num comunicado.

Com a greve esta segunda-feira iniciada, os trabalhadores exigem o cumprimento integral do AE, a reposição do pagamento correspondente a 22 dias de subsídio de alimentação, aumentos salariais "justos" com retroativos a janeiro, a atualização das cláusulas de expressão pecuniária, condições de trabalho "dignas para os trabalhadores a bordo e de terra" e a negociação e assinatura de um novo AE com a Itau.

Em 2025, os trabalhadores dos bares dos comboios cumpriram já 18 dias de greve em defesa do AE e, em 2026, têm mantido a luta através de uma greve aos feriados, fins de semana e ao trabalho extraordinário.

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