O Correio da Manhã percorreu esta terça-feira alguns dos hospitais de Lisboa para fazer um balanço da greve dos enfermeiros que começou às 8h e só terminará à meia-noite.<br/>
Nos hospitais de Santa Maria e Pulido Valente foi registada uma adesão de 64,7 por cento, pois dos 683 enfermeiros escalados, 442 fizeram greve. De acordo com a enfermeira-chefe, Catarina Baruca, os serviços mais afectados foram os blocos operatórios. O bloco central, constituído por seis salas, teve uma adesão total nos dois hospitais.
Os serviços de cirurgia plástica e ginecologia tiveram uma adesão à greve de 50 por cento, com apenas uma sala em funcionamento. Os exames foram quase todos adiados, o mais tardar para a próxima semana.
Contudo, no período da manhã, as consultas externas tiveram uma adesão mínima por parte dos enfermeiros, sendo que o tempo de espera não teve grandes alterações. “Tendo em conta as últimas greves, esta percentagem tem sido constante. Santa Maria registou uma adesão à greve de 65 por cento e o hospital Pulido Valente, 60 por cento”, garantiu Catarina Baruca.
A falta de informação e a demora no atendimento foram as queixas mais frequentes dos utentes. Odete Henrique, de 71 anos, deslocou-se de manhã ao Hospital de Santa Maria e garante que houve demora no atendimento. “Fui tirar sangue para análises. Normalmente costuma demorar meia hora e hoje demorou mais de uma hora. Não sabia que havia greve mas achei estranho nunca mais me chamarem. As crianças que costumavam tirar sangue na pediatria também estavam lá”, disse.
Já no Hospital de São José, Paula Frias, de 24 anos, garantiu que o atendimento foi demorado. “Vim acompanhar o meu namorado mas a triagem pareceu-me demorada. Normalmente é rápido. Também havia muita gente na sala de triagem, o que não é normal”, referiu.
Por sua vez, Carlos Cardoso, de 55 anos, garantiu ao CM não saber que os enfermeiros estavam em greve mas que, ainda assim, não notou diferenças no serviço prestado pelo hospital. “O atendimento é igual ao de sempre. Não noto nada de diferente. Dirigi-me ao hospital pelas 10 horas, cheio de dores com uma hérnia, e três horas depois ainda não me chamaram”.
Outra unidade hospitalar visitada pelo CM foi o hospital Curry Cabral onde, segundo o enfermeiro António Matias, foi registada uma adesão de 87,6 por cento. As consultas e o bloco operatório foram os serviços nos quais a greve se sentiu com maior intensidade, pois não se fizeram cirurgias, a não ser em casos de urgência. Os exames de cirurgia de ambulatório também foram adiados, sendo que a sua remarcação irá depender da disponibilidade dos médicos.
Isabel Manquinho, de 54 anos garantiu que foi bem atendida e sem demoras. “Fui a uma consulta e foi rápido. Quando chegámos tínhamos três pessoas à nossa frente mas acho que os serviços estão a funcionar normalmente”, referiu.
A greve dos enfermeiros também foi sentida no Centro de Saúde de Sete Rios. Jorge Martinho pretende viajar para África este sábado mas não consegue obter as vacinas necessárias. “Há uma semana que tentamos ser vacinados contra a febre amarela e a tifóide porque vamos viajar para África. Por intermédio de uma médica amiga conseguimos as receitas e agora chegamos aqui e não temos vacinação. Temos de chegar a Luanda com já com a vacinação em dia e agora não sei como vamos fazer”, confessou.
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