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Correio da Manhã

Sociedade
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Guerra na venda de livros escolares

Está instalada uma autêntica guerra de preços no sector dos manuais escolares. A cadeia de hipermercados Continente começou nesta semana a distribuir aos clientes talões de desconto de dez por cento para quem, até ao próximo domingo, encomendar através da internet os livros para o próximo ano lectivo.
4 de Julho de 2012 às 01:00
Compra de livros escolares continua a provocar rombo significativo nos orçamentos familiares
Compra de livros escolares continua a provocar rombo significativo nos orçamentos familiares FOTO: Sérgio Lemos

"Aproveite 10% de desconto em cartão. Reserve já os seus manuais escolares", pode ler-se no talão que é entregue ao cliente juntamente com a factura das compras.

A iniciativa da Sonae está a ser encarada com "enorme preocupação" pelos donos das livrarias que, assim, esperam um início de ano lectivo "ainda mais amargo do que os anteriores".

"Nós não temos a mínima hipótese de combater essas campanhas, porque as nossas margens já são muito apertadas", disse ao Correio da Manhã Isac Costa, da livraria Bracara Augusta, em Braga.

Para este livreiro, o negócio dos manuais escolares é "muito específico e extremamente trabalhoso, mas ainda é o que vai valendo a um sector em profunda crise e com quebras constantes desde 2008".

"Com muito esforço, lá vamos, no início de cada ano lectivo, conseguindo aumentar um pouco a facturação. Com campanhas tão agressivas como essa, por parte dos hipermercados, a situação afigura-se-nos dramática", sublinhou Isac Costa.


As próprias livrarias vão concedendo alguns descontos, nomeadamente os tradicionais dez por cento aos professores. Com a já referida campanha, esse valor de desconto chega a uma larga franja da população que, em tempos de grave crise económica, tenderá a aproveitar.

"Vou ver se consigo saber que livros terá a minha filha no próximo ano lectivo. Se o conseguir a tempo vou, com toda a certeza, aproveitar, porque gasto sempre entre 300 a 350 euros em livros escolares", disse ao CM Deolinda Antunes, após ter recebido o referido talão de desconto.

PREÇOS ESTE ANO AUMENTAM 2,6 POR CENTO

Os preços dos manuais escolares só podem aumentar este ano um máximo de 2,6 por cento em relação ao ano passado.

Este tecto máximo é fixado anualmente na convenção de preços celebrada entre a Direcção-Geral das Actividades Económicas (DGAE) e a Associação Portuguesa dos Editores e Livreiros (APEL). Nesta convenção são também fixados os preços máximos a que os editores podem vender cada manual escolar do Ensino Básico e Secundário.

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