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Correio da Manhã

Sociedade
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“Há famílias inteiras a passarem fome”

O desespero está a tomar conta dos pescadores de marisco na ria Formosa e ao largo da costa, entre Olhão e Vila Real de Santo António. Desde Junho que têm sido decretadas interdições regulares à apanha de bivalves, devido à presença de toxinas. E, há mais de um mês (desde 17 de Agosto), a proibição de apanha é total e foi alargada a mais áreas.
21 de Setembro de 2012 às 01:04
Interdições à apanha de bivalves têm-se acumulado desde Junho
Interdições à apanha de bivalves têm-se acumulado desde Junho FOTO: josé sena goulão/lusa

"Os barcos estão parados desde essa altura. Há famílias inteiras a passarem fome. No entanto, verifica-se que os apanhadores a pé, sem licenças e ilegais, continuam na apanha", garante um pescador de marisco da ria Formosa, que pede anonimato por temer represálias. "Os ilegais apanham e vendem para restaurantes e continuam a ganhar o pão de cada dia à custa dos que têm de estar parados", acrescenta.

"Vivemos uma situação de calamidade", refere, por seu lado, António da Branca, responsável pela Olhãopesca, associação que representa cerca de 40 pescadores de ganchorra, ao largo da costa. "Incluindo o pessoal que dá apoio em terra, são 150 pessoas que estão paradas, sem trabalho e sem rendimento", acrescenta António da Branca, "e cada um tem uma família em que, muitas vezes, são a única fonte de rendimento da casa".

Para minorar as dificuldades, os pescadores esperam pela atribuição do Fundo de Compensação Salarial do Profissionais da Pesca (FCSPP), criado para fazer face a estas situações mas que tarda em chegar.

"Pedem um papel das Finanças e outro da Segurança Social, e quem tiver uma dívida qualquer já não recebe o dinheiro", continua António da Branca. "Se os homens estão sem trabalhar, mesmo que tenham uma dívida, precisam de apoio para viver. E como é que podem pagar a dívida se não ganham dinheiro?", pergunta.

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