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Correio da Manhã

Sociedade
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“Há um limite a partir do qual já não há resposta”

Mário Carreira, coordenador da Direcção-Geral da Saúde, fala ao CM sobre o excesso de procura das urgências hospitalares.
28 de Dezembro de 2008 às 00:30
“Há um limite a partir do qual já não há resposta”
“Há um limite a partir do qual já não há resposta”

Correio da Manhã –A ponte de sexta-feira e o facto de os centros de saúde terem estado a funcionar a meio gás explica este aumento da afluência às urgências?

Mário Carreira – Não me parece que essa seja a explicação. Os centros de saúde atenderam 20 mil casos. Além disso, nos dias 24 e 25 estiveram fechados e esse acréscimo às urgências não se verificou. É uma questão de decisão: as pessoas decidiram esperar dois dias para recorrer às urgências, o que prova que não são casos urgentes. Recorreram às unidade de saúde quando lhes deu mais jeito.

– Dos 37 mil casos registados na sexta-feira, quantos foram falsas urgências?

– Não conseguimos saber, só cada hospital localmente tem essa contabilidade.

– Os serviços de saúde não estavam preparadas para o aumento de casos?

– Houve uma recomendação da DGS para que os hospitais elaborassem planos de contingência, de forma a darem resposta adequada. Mas há um limite físico a partir do qual já não há resposta possível. Há zonas do País com tendência para que os serviços entrem em descompensação mais rapidamente, pelas características da população e pela capacidade de resposta.

– Os números registados sexta-feira deverão continuar, tendo em conta que o pico da gripe ainda não chegou?

– O fim-de-semana vai ajudar a perceber se este esta procura exagerada foi pontual ou se se vai manter. Estamos a acompanhar a situação de perto e a comunicá-la à ministra da Saúde. Por detrás desta afluência está ainda uma epidemia de gripe moderada. Mas esperamos que as pessoas percebam que uma gripe não é uma doença grave e que não devem ir às urgências. A excepção vai para os doentes crónicos e idosos.

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