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Correio da Manhã

Sociedade
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Hérnias afetam cerca de 10% da população

Objetivo da cirurgia é devolver a qualidade de vida ao doente. É uma das doenças mais frequentes.
Ana Silva Monteiro 12 de Agosto de 2018 às 11:08
Cirurgia realizada a uma hérnia abdominal
Ter uma postura adequada a realizar atividade física é essencial para prevenir este tipo de problemas
António Dias depois da operação
Cirurgia realizada a uma hérnia abdominal
Ter uma postura adequada a realizar atividade física é essencial para prevenir este tipo de problemas
António Dias depois da operação
Cirurgia realizada a uma hérnia abdominal
Ter uma postura adequada a realizar atividade física é essencial para prevenir este tipo de problemas
António Dias depois da operação
Herniorrafia é o nome dado a uma cirurgia inovadora para tratar o problema da hérnia abdominal, um problema que leva muitos portugueses às salas de operações. A doença corresponde a uma zona de fraqueza da parede abdominal que permite que parte do intestino ou de outro órgão fique saliente. Estima-se que cerca de 10% da população possa desenvolver algum tipo de hérnia ao longo da vida.

"As hérnias são das doenças mais frequentes em todo o Mundo. Com esta cirurgia tentamos arranjar um material, ou seja uma prótese, que se parece com uma rede e que vai ajudar a fechar o defeito que existe na parede abdominal. São utilizados tecidos do paciente para unir os músculos e a rede para reforçar a zona afetada e, dessa maneira, tratar o problema com mínima probabilidade de regressão", explicou, ao CM, Emanuel Guerreiro, cirurgião do Hospital da CUF, no Porto.

O objetivo da cirurgia é de que o doente possa voltar a fazer tudo o que o fazia antes de ter a hérnia, sem limitações. "Fazemos com que a nossa cirurgia restitua o doente à sua vida. Por isso é que é necessário uma avaliação prévia, perceber quais são as expectativas do doente e, assim, fazer a cirurgia que melhor se adequa à pessoa em questão", concluiu o médico cirurgião.

Conselho da semana 
Uma postura incorreta pode levar ao aparecimento de hérnias. A conduzir, por exemplo, é importante posicionar o assento o mais à frente possível de modo a que não tenha que dobrar as costas. A inclinação do encosto não deve ultrapassar os 30 graus. Estar sentado de uma forma adequada favorece, entre outras coisas, a digestão, a respiração, e ajuda a proteger as articulações e os ligamentos.

"Agora tenho resistência física" 
"Tive duas hérnias umbilicais e duas inguinais. As umbilicais começaram a ter uma dimensão de tal ordem que me provocaram alguns constrangimentos, principalmente a fazer exercício físico", recordou ao Correio da Manhã António Dias, de 72 anos, praticante de Karaté com cinturão negro.

O problema surgiu depois de António ter sido submetido a uma cirurgia. "Provavelmente, não houve uma boa cicatrização, o que fez com que as hérnias surgissem. Hoje, depois da operação, sinto que estou a 100%. Agora tenho resistência física e faço exercício", concluiu o desportista.
Prática de exercício físico ajuda a combater a doença 
Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode sofrer de uma hérnia. Mas existem vários fatores que podem ajudar a prevenir que a doença apareça. A prevenção passa pela adoção de uma postura adequada a levantar pesos, ter um normal trânsito intestinal e, para isso, uma boa ingestão de fluidos, de fibras e evitar reter durante demasiado tempo o estímulo para evacuar os intestinos. A prática de exercício físico também é importante, já que ajuda a reforçar os músculos abdominais e a controlar o peso.

António Dias, que foi operado em abril do ano passado, acredita que foi por praticar exercício, em especial a modalidade Karaté, que não teve dores ao longo da doença e que conseguiu recuperar rapidamente da cirurgia a que foi submetido. "O espírito que nós temos nas artes marciais é levado quase ao extremo, portanto temos uma capacidade de resistência razoável. Não posso dizer que sentia dor, mas sim um certo desconforto, já que a hérnia era bastante volumosa e que me incapacitava de fazer aquilo de que mais gostava", contou o doente.

"Voltei a poder fazer o que mais gosto" 
Cerca de quatro semanas após ter sido operado, António Dias já praticava exercício físico e dava aulas de Karaté. "Passados 15 dias de ter tido alta mandei ao médico uma fotografia onde se via que a minha perna já ultrapassava a cabeça. Claro que tive sempre muito cuidado e utilizei uma cinta para proteger a zona abdominal. Mas voltei a poder fazer o que mais gosto", disse o doente.

Discurso direto
Fernando Ferreira 
Médico-cirurgião do Hospital da CUF 
"Consumo de tabaco e diabetes"

CM - Ter sido sujeito a uma ou várias cirurgias pode levar ao aparecimento de hérnias abdominais?
Fernando Ferreira – Existem multifatores para esse problema. O consumo de tabaco, sofrer de diabetes e pessoas que tenham a parede abdominal fragilizada têm mais predisposição para sofrer da doença. Neste último fator, a cirurgia pode contribuir para a fragilidade.

– Depois da operação, o doente pode sofrer novamente de uma hérnia?
– Na medicina nunca temos a certeza absoluta. Podemos é garantir que reduzimos essa possibilidade. Depois da operação, passado a fase aguda do penso e estando tudo bem, o doente pode retomar a sua vida.

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