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Correio da Manhã

Sociedade
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Hospitais já estão em alerta com aumento de casos Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo

Os internamentos mais que duplicaram no espaço de um mês. Enfermarias desativadas voltaram a receber doentes graves.
João Saramago 11 de Junho de 2021 às 01:30
Doentes em Cuidados Intensivos subiram de 13 para 32 num mês, na região de Lisboa e Vale do Tejo
Doentes em Cuidados Intensivos subiram de 13 para 32 num mês, na região de Lisboa e Vale do Tejo FOTO: Carlos Barroso
Os internamentos mais que duplicaram na região de Lisboa e Vale do Tejo no espaço de um mês e há já hospitais que estão a reativar as enfermarias Covid-19. "Todos os dias está a crescer o número de doentes internados, com a diferença que agora são mais novos face à anterior vaga", diz o presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço. O médico acrescenta que há hospitais que estão já a acusar esta pressão, apontando como exemplos o Curry Cabral, em Lisboa, e o Beatriz Ângelo, em Loures.

Por seu turno, Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sublinha que o número de internados na região de Lisboa subiu 160% desde 20 de maio até hoje, passando de 55 camas para 143 camas ocupadas. Nas unidade de Cuidados Intensivos a subida desde 14 de maio foi de 147% passando de 13 para 32 camas ocupadas. Como há a nível nacional 72 doentes em Cuidados Intensivos, destes os hospitalizados na região de Lisboa e Vale do Tejo ocupam 32 camas. Ou seja, 44% do total.

A maior parte dos doentes internados tem idades entre os 30 e os 49 anos, mas verifica-se também uma crescimento entre as pessoas com mais de 70 anos. Entre a população com mais de 80 anos, 272 pessoas ficaram infetadas depois de terem tomado as duas doses da vacina. E destas, houve 15 que precisaram de ser internadas, embora nenhuma tenha morrido devido à Covid-19, divulgou a Direção-Geral da Saúde.

O último boletim diário revela mais seis mortes resultantes da pandemia e mais 910 novos casos. Os doentes em unidades de Cuidados Intensivos também tiveram um aumento de mais dois casos em 24 horas para um total de 72. Desde 15 de maio que não se registavam tantos óbitos e desde 6 de março que não havia tantos novos casos num só dia. Das seis mortes, cinco verificaram-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que tem também mais 557 infeções. Ou seja, 61% dos 910 novos casos.

PORMENORES
Alerta em sete concelhos
O investigador Carlos Antunes admite que nos próximos dias mais quatro concelhos possam ficar em estado de alerta, depois de Lisboa, Cascais e Sintra. São eles Almada, Loures, Amadora e Santarém.

Surto começou na Baixa
O mais recente surto começou há um mês em três freguesias de Lisboa (Santa Maria Maior, Arroios e Misericórdia) e rapidamente se propagou aos concelhos vizinhos.

Lisboa nos 220 casos
O investigador Carlos Antunes estima que Lisboa registou 207 casos por cem mil habitantes na segunda-feira e que hoje deverá ter cerca de 220 casos por cem mil habitantes.

Outono pode trazer nova vaga da pandemia
A Organização Mundial da Saúde alerta para a possibilidade de uma nova vaga de Covid-19 atingir a Europa no outono, perante a imunidade da vacina não anular a variante indiana em todos os casos.

Desconfinamento arranca mais cedo
As medidas de desconfinamento foram ontem antecipadas, o que permitiu a restaurantes e comércio alargarem o seu horário de funcionamento. Inicialmente, a data de arranque era segunda-feira.

Desconfinamento só possível em julho
O pico de casos em Lisboa deverá ser atingido na próxima semana. A descida para uma valor abaixo dos 120 casos por cem mil habitantes (que permite desconfinar) só deverá ser alcançada em julho, estima Carlos Antunes.

Dispensado pedido de agendamento
As pessoas com mais de 60 anos que queiram ser vacinadas sem agendamento devem, obrigatoriamente para o serem nesta modalidade, dirigir-se ao centro de vacinação do local onde estão inscritos no centro de saúde.

A ‘task force’ da vacinação avançou com a criação da modalidade ‘casa aberta’, para a vacinação de primeiras doses de utentes com idade superior a 60 anos sem agendamento, desde que estes utentes possam ser verificados nas listas de elegíveis nas salas de vacinação.

A criação da ‘casa aberta’ permite que pessoas com mais de 60 anos sejam vacinadas de imediato, não tendo de permanecer no posto de vacinação. A administração da vacina está dependente da apresentação de documento que prove a identidade do utente.

Quatro milhões com pelo menos uma dose
Portugal atingiu na quarta-feira um total de 4 073 288 pessoas com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, de um total de 6 205 863 vacinas administradas.
Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
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