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Correio da Manhã

Sociedade
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Hospitais perdem otorrino à noite

26 de Maio de 2011 às 00:30
Os doentes do Garcia de Orta passam a ser observados no Santa Maria
Os doentes do Garcia de Orta passam a ser observados no Santa Maria FOTO: SÉRGIO LEMOS

Os otorrinos dos hospitais Garcia de Orta (Almada) e Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) vão deixar de assegurar as urgências a partir das 20h00. O Hospital de Santa Maria (Lisboa) assegura, a partir de 15 de Junho, as urgências nocturnas (20h00-08h00) da especialidade e terá equipas reforçadas com médicos do São José e do Egas Moniz, que também perdem este serviço nocturno.  Os utentes mais prejudicados são os do Amadora-Sintra e do Garcia de Orta (HGO). Um paciente com uma otite aguda à noite e que resida em Sesimbra, por exemplo, só após a triagem no HGO (a 30 quilómetros) é que sabe se é atendido aí ou em Lisboa (a 15 quilómetros). Se a mobilidade de utentes avança já, o mesmo não acontece com os médicos de Almada e da Amadora. Segundo Carlos Macor, otorrino do Santa Maria, uma das medidas da troika é a mobilidade dos médicos em função da carência sentida nas unidades. Mas para que os clínicos trabalhem em hospitais de concelhos diferentes "é necessária alteração da lei, porque a actual não prevê essa mobilidade".

No entanto, há uma excepção: o Hospital de São João, no Porto, recebe desde 1 de Janeiro os otorrinos de sete hospitais de outros concelhos. A directora do serviço, Margarida Santos, afirmou ao CM que foi "possível essa mobilidade por acordo dos médicos".

Numa fase posterior da reorganização das urgências na Grande Lisboa, seguem-se a oftalmologia, ortopedia, pediatria e neurologia, em hospitais ainda por definir.

MÉDICOS VÃO SER REAVALIADOS

Os médicos passam a ser avaliados de acordo com o subsistema de avaliação dos funcionários públicos, segundo uma portaria que entra hoje em vigor. Nos critérios de avaliação contam o desempenho assistencial, a produtividade e, de acordo com a portaria, serão também avaliadas a atitude profissional e comunicação, isto é, as atitudes desenvolvidas pelo médico relativamente aos membros da equipa em que se integra, em relação aos superiores hierárquicos e também em relação aos doentes ou utentes.

Pilar Vicente, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), afirmou ao CM que a avaliação do desempenho "foi uma das matérias acordadas entre os sindicatos e o Ministério da Saúde na contratação colectiva". Para Sérgio Esperança, da FNAM, "a avaliação traz benefícios para os serviços e profissionais".

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