Entre os principais problemas identificados estão a falta de integração entre serviços, que tem levado à duplicação de despesas.
O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, nos Açores, está a implementar um novo modelo de governação que pretende corrigir ineficiências, estando a sua plena operacionalização prevista até final do ano, anunciou esta quinta-feira a administração.
"É vontade do conselho de administração ter um regulamento interno de funcionamento com os serviços a funcionarem em conformidade até final do ano", afirmou o presidente do conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada, Carlos Pinto Lopes, aos jornalistas.
O responsável falava à margem da sessão de apresentação das opções estratégicas e da visão para o futuro do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), intitulada "HDES -- Uma Visão sobre o Amanhã", no auditório da maior unidade de saúde açoriana, tendo salientado que a reforma do modelo de governação do hospital será para implementar até final do ano.
Segundo Carlos Pinto Lopes, a reforma pressupõe "corrigir algumas ineficiências", assinalando que o regulamento interno "já data de 2009".
A atualização surge como resposta à necessidade de adaptação à realidade atual do hospital, sobretudo após o incêndio de maio de 2024 "onde ficaram evidentes algumas ineficiências", disse ainda o presidente do conselho de administração do HDES, sublinhando que a reforma em curso visa promover uma maior eficiência.
Carlos Pinto Lopes adiantou que um estudo realizado pela Deloitte identificou "ineficiências" e "pontos de estrangulamento" nos serviços do hospital, classificando-os por grau de prioridade com resolução prevista até ao final do ano.
Entre os principais problemas identificados estão a falta de integração entre serviços, que tem levado à duplicação de despesas, e a ausência de uma organização funcional adequada em áreas críticas, segundo explicou.
"Se funcionarmos de forma mais organizada vamos, de alguma forma, conter os nossos custos de atividade assistencial", defendeu.
Uma das mudanças já implementadas foi a criação de um serviço autónomo de compras, separado do aprovisionamento.
Foi ainda identificada no estudo a ausência de um subsistema de compras de bloco operatório com um gestor dedicado, bem como melhorias a introduzir na farmácia e no serviço de gestão financeira, segundo indicou o presidente do conselho de administração.
"Também foi identificado que o hospital precisava de ter uma transversalidade nos serviços de informática que permita ter ao dispor softwares de gestão que nos ajudem a integrar estes serviços que funcionam em ilhas", acrescentou.
Por outro lado, foi também criado um novo serviço de qualidade, ambiente, segurança e epidemiologia.
Segundo o responsável, estas medidas deverão permitir reduzir custos operacionais e libertar recursos financeiros, que poderão ser direcionados para investimento e para a regularização de dívidas a fornecedores.
Carlos Pinto Lopes adiantou que, atualmente, o hospital tem uma dívida a fornecedores de 105 milhões de euros.
A dívida ficou saldada há um ano, mas voltou a acumular, tendo o responsável explicado que este valor "está muito baseado no aumento da atividade assistencial e no aumento dos custos dos fármacos".
"Ao nível da oncologia, por exemplo, cada vez existem tratamentos mais eficientes, mas que são muito mais caros", assinalou.
No que se refere às infraestruturas, Carlos Pinto Lopes indicou que neste momento a ser feito o projeto de arquitetura para a requalificação do bloco operatório, cujo concurso público deverá ser lançado ainda este ano.
"Até ao fim do ano creio que estará um bloco requalificado", vincou, explicando que o objetivo é reforçar a cirurgia de ambulatório, reduzindo a pressão sobre o internamento.
Entre as intervenções está também prevista a remoção de amianto existente nos tetos do bloco operatório.
Paralelamente, o programa funcional do futuro hospital, contratado pela direção regional de saúde, deverá estar concluído em maio, seguindo-se a fase de definição do programa preliminar.
"O programa funcional identifica o que queremos. O programa preliminar como vamos fazer o que queremos", explicou.
Questionado sobre os tempos de espera do hospital modular, o responsável admitiu que "é possível melhorar os tempos de espera mais extremados".
Em 4 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido construído um hospital modular junto ao edifício do HDES para assegurar a resposta dos cuidados de saúde.
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