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Correio da Manhã

Sociedade
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Idosos usados em burla à saúde

Testemunhas não reconhecem assinatura em receitas médicas.
André Pereira 6 de Março de 2015 às 08:15
Serviço nacional de saúde lesado em milhões
Serviço nacional de saúde lesado em milhões FOTO: D.R.

Recorriam aos nomes de utentes, principalmente de idosos, que atendiam nas unidades de saúde onde trabalhavam, ou até de pessoas mortas. Os médicos passavam receitas de medicamentos caros, com elevada comparticipação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que nunca chegavam a ser levantados na farmácia na Quinta do Conde (Sesimbra). A comparticipação era depois reclamada ao SNS pelos proprietários da farmácia. Os medicamentos eram revendidos ou exportados ilegalmente. O esquema fraudulento, que lesou o estado em mais de um milhão de euros, está em julgamento no Campus de Justiça, em Lisboa.

Na sessão de ontem, as mais de dez testemunhas ouvidas foram confrontadas, pelo Ministério Público, com as assinaturas em receitas aviadas na farmácia da Quinta do Conde. Nenhuma foi capaz de reconhecer a assinatura e todas garantiram que nunca se deslocaram à farmácia para obter a medicação.


A maioria das testemunhas é utente da unidade de saúde Lar Médico, na Amadora, onde um médico, arguido no processo, trabalhava. Uma outra médica também é arguida.

Em causa estão medicamentos com comparticipações do SNS que chegam aos 90 por cento. São remédios para doenças como Parkinson, Alzheimer, hipertensão, depressões e diabetes. Os proprietários da farmácia, defende a acusação, recebiam do Estado o valor da comparticipação, que depois distribuíam pelos dois médicos envolvidos. O esquema durou entre 2010 e 2013. 

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