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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

IEFP já analisou queixa de associados da Raríssimas

Alegadas irregularidades com estagiários serão motivo de inspeção.

16 de dezembro de 2017 às 18:09

O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) confirmou este sábado ter recebido na quinta-feira uma denúncia proveniente de "grupo de associados" da Raríssimas, sobre alegadas irregularidades em estágios profissionais, e avança que a participação já foi analisada.

Em comunicado, o IEFP ressalva contudo que, das alegadas irregularidades apontadas na denúncia, recebida por correio eletrónico, só é do âmbito de atuação do IEFP "uma questão sobre uso abusivo de estágios profissionais".

De acordo com o IEFP, a denúncia foi encaminhada, de imediato, para os serviços competentes que analisaram a situação, tendo sido possível apurar, até ao momento, que dos 20 estagiários que foram colocados na Raríssimas desde 2011, 18 concluíram o estágio.

"Deste universo, pelo menos cinco dos estagiários estavam empregados, seis meses após a conclusão do estágio, quatro dos quais estavam empregados na instituição, com contrato individual de trabalho. Apurou-se ainda que, 12 meses após a conclusão do estágio, pelo menos quatro dos estagiários estavam empregados, dos quais três estavam empregados na instituição", avança o IEFP.

Segundo o IEFP, verificou-se adicionalmente que, das 93 pessoas que foram colocadas desde 2011 na instituição, com recurso a apoios à contratação, 59 permaneciam empregadas na mesma entidade seis meses após o término do apoio e pelo menos duas estavam empregadas noutras entidades.

"Verificou-se ainda que, dos 17 desempregados com quem a Raríssimas celebrou contratos emprego-inserção, 14 concluíram a participação no projeto e, destes, seis permaneciam empregados na mesma, seis meses após o fim da medida, sendo que cinco permaneciam empregados na mesma entidade, 12 meses após o fim do apoio", adianta o IEFP.

Da análise efetuada, verificou-se ainda que pelo menos duas destas pessoas estavam empregadas noutras entidades, depois do fim do contrato emprego-inserção com a instituição, seis meses depois do fim do apoio, e permaneciam empregadas 12 meses depois do fim do apoio.

O IEFP revela que foi ainda solicitado aos seus serviços regionais que efetuassem uma visita de acompanhamento à instituição, a fim de verificarem a regularidade e conformidade dos processos de apoio em curso.

Reconhece, porém, que, apesar de terem sido efetuadas diversas tentativas, por telefone, não foi possível entrar em contacto com a entidade até esta data.

"Assim sendo, e como determinam os procedimentos internos do IEFP, na impossibilidade de chegar ao contacto com a instituição, esta visita realizar-se-á sem agendamento prévio", adverte o IEFP.

Esta semana, a TVI revelou que havia mais duas denúncias sobre irregularidades na Rarríssimas, e que as queixas tinham sido enviadas em novembro, uma para a Autoridade para as Condições do Trabalho, e uma outra para o Instituto do Emprego e Formação Profissonal (IEFP), duas entidades cuja tutela pertence ao ministro da Segurança Social, Vieira da Silva.

Nas queixas, segundo adiantou a TVI, pedia-se que se iniciasse o mais brevemente possível uma investigação à então presidente da Raríssimas Paula Brito da Costa, ao marido e ao filho. A queixa falava ainda em abuso de autoridade e num clima de intimidação, criado por Paula Brito e Costa.

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