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Correio da Manhã

Sociedade
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IGAS investiga morte no hospital

Os hospitais Curry Cabral e Egas Moniz, em Lisboa, e Santa Cruz, em Carnaxide (Oeiras), estão a ser alvo de um processo de inquérito instaurado pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS). Em causa estão denúncias de negligência e maus tratos recebidos por Carlos Moura no Egas Moniz e Santa Cruz e a consequente morte no Curry Cabral, a 27 de Agosto.
26 de Dezembro de 2011 às 01:00
Alice (viúva) e Nádia Moura (filha) acusam os hospitais de negligência e maus tratos no tratamento dado a Carlos Moura, que sofria de cancro e morreu aos 42 anos
Alice (viúva) e Nádia Moura (filha) acusam os hospitais de negligência e maus tratos no tratamento dado a Carlos Moura, que sofria de cancro e morreu aos 42 anos FOTO: Bruno Colaço

De acordo com Alice Moura, viúva, Carlos Moura foi transferido do Egas Moniz para o Curry Cabral em 25 de Agosto. "A médica disse-me que ele devia ir para o serviço de Nefrologia, mas colocaram-no em Medicina II porque não havia vagas. É mentira, pois falámos com familiares de doentes que, nesse mesmo dia, foram internados em Nefrologia", queixa-se a mulher. No dia seguinte, Carlos (que recebia tratamentos oncológicos no Egas Moniz e fazia hemodiálise em Santa Cruz) regressou de um tratamento de hemodiálise e uma enfermeira não terá colocado a máscara de ventilação de suporte à respiração. "Foi a minha filha quem a alertou para a falha", afirma Alice.

Carlos Moura, que contava 42 anos, morreu no dia 27 de Agosto. "Estivemos com ele durante a manhã e após o almoço deixámos que descansasse um pouco. Antes de sair, voltei a alertar uma enfermeira para colocar a máscara ao meu marido. Quando saímos estava tudo bem", recorda Alice. À tarde, quando regressou para a visita, Alice encontrou o marido "com muitas dificuldades em respirar". "Chamei a enfermeira, que estava a jogar no computador, e todos os que estavam na sala aperceberam-se de que os sinais vitais não estavam a ser monitorizados e a máscara não estava ligada à máquina de ventilação. Retiraram as pessoas da sala e tentaram reanimar o meu marido. Dez minutos depois, estava morto".

A família de Carlos apresentou queixa na IGAS, que mandou abrir um inquérito.

UNIDADES DIZEM QUE QUEIXAS SÃO "INFUNDADAS"

Fonte da administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, ao qual pertencem os hospitais de Santa Cruz e Egas Moniz, refere ao Correio da Manhã que as acusações feitas pela família de Carlos Moura, de maus tratos e negligência ao longo de vários meses, "são infundadas". À semelhança do Hospital Curry Cabral, o CHLO só se pronunciará sobre o assunto após a conclusão do inquérito que decorre na Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

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