Desde o início das suas funções, o Grupo VITA recebeu 850 chamadas telefónicas e foi contactado por 154 vítimas e sobreviventes, bem como por um agressor.
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou esta terça-feira que a continuidade do Grupo Vita será analisada na assembleia plenária de abril e agradeceu o trabalho da equipa de peritos, bem como das recomendações.
Esta terça-feira, na apresentação de um relatório de atividades do grupo, a sua coordenadora, a psicóloga Rute Agulhas, disse que estão disponíveis para continuar em funções e, em seguida, em resposta à Lusa, a CEP mostrou abertura e elogiou o trabalho feito, nomeadamente, nas "oportunidades de melhoria à ação da Igreja Católica em Portugal no que se refere à proteção de menores e adultos vulneráveis que foram identificadas".
O grupo alertou para "assimetrias de poder" e "perceções distorcidas" sobre o papel dos sacerdotes, que favorecem novos casos, salientando que os abusos "não são coisa do passado", considerando a CEP que as "recomendações exigem uma escuta atenta, uma reflexão séria e uma ação responsável, sabendo que as dificuldades apontadas podem causar dor acrescida às vítimas e sobreviventes".
"As vítimas foram, são e serão sempre o centro de atuação" e "é com elas e por elas que queremos continuar um caminho de reparação, proteção e prevenção de todas as formas de violência sexual no seio da Igreja Católica em Portugal, na certeza de que os abusos sexuais sobre menores não pertencem apenas ao passado", refere a mensagem de José Ornelas, presidente da CEP e bispo de Leiria-Fátima.
As "Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, criadas por determinação do Papa Francisco, estão também a trabalhar na consolidação dos seus procedimentos para atender, de forma estruturada e consistente, à complexa e exigente realidade da proteção de crianças, jovens e pessoas vulneráveis", acrescentou a instituição, que assume o "compromisso e determinação em continuar a cuidar de uma igreja onde não há lugar para qualquer tipo de abuso".
É um "caminho que queremos percorrer juntos, em diálogo com as vítimas e sobreviventes, com todos os que na igreja em Portugal combatem este flagelo, bem como com os demais agentes pastorais, fiéis e a sociedade em geral", prometeu a CEP, salientando que os pedidos de compensações financeiras ainda estão a ser apreciados.
"A Comissão de Fixação da Compensação continua a analisar os primeiros 66 pareceres para, tão breve quanto possível, apresentar à CEP as propostas dos valores de compensação financeira a atribuir", disse.
Esta terça-feira, o Grupo Vita mostrou-se disponível a continuar em funções, com "reformulação dos objetivos": "estamos disponíveis para continuar este processo se entenderem", afirmou Rute Agulhas, embora salientando que, "a haver alguma continuidade é preciso reformular os objetivos" do grupo, nomeado em maio de 2023 como peritos independentes para ouvir as denúncias e apoiar as vítimas.
"A continuar", o grupo teria de ser reconfigurado para "trabalhar de forma mais próxima" das comissões diocesanas e das ordens religiosas, disse a coordenadora do grupo na apresentação de um relatório sobre as atividades do grupo em 2025.
"Desde o início das suas funções, o Grupo VITA recebeu 850 chamadas telefónicas e foi contactado por 154 vítimas e sobreviventes, bem como por um agressor", tendo sido "registados 43 pedidos de ajuda relativos a situações de violência que não se enquadram na sua missão", segundo o documento.
No total, foram identificados 34 pedidos apoio psicológico, sete pedidos de apoio social e cinco de apoio psiquiátrico.
As 86 vítimas e sobreviventes até agora escutados têm, em média, 55 anos, são maioritariamente do sexo masculino e solteiros e as situações ocorreram entre 1955 e 2023 e a primeira ocorrência sucedeu quando os queixosos tinham entre os 10 e os 11 anos.
As estratégias usadas pela pessoa agressora, na maioria dos casos sacerdotes (91,8%), incluem, sobretudo, abuso de autoridade, aproveitamento da relação de confiança e familiaridade, bem como engano, confusão e surpresa", refere o relatório.
Para tentar combater os problemas, o grupo propõe uma "redução das assimetrias de poder", a "reconfiguração da figura sacerdotal" e a valorização das vítimas, "para combater preconceitos e estigmas", bem como uma "uniformização de estruturas" eclesiais que lidem com este tema.
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