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Correio da Manhã

Sociedade
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Implantes cocleares colocados em mais de mil surdos profundos

Cirurgia permite aplicar próteses que fornecem capacidade auditiva.
Paula Gonçalves 13 de Outubro de 2019 às 21:00
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
Hospital faz implantes cocleares desde 1985
O implante coclear é a única solução terapêutica que permite aos surdos profundos ouvirem. A técnica tem sido desenvolvida nos últimos 30 anos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que recentemente ultrapassou a barreira dos mil implantes cocleares realizados.

Mais de metade dos doentes ali operados são crianças. Algumas têm menos de um ano. Os resultados são positivos, segundo Luís Filipe Silva, diretor da Unidade Funcional de Implantes Cocleares do CHUC. Cerca de 87% dos doentes falam ao telefone e a maior parte das crianças frequenta a escola regular. Contudo, o processo é sempre mais difícil nos pacientes mais novos. "A criança nunca teve estímulo auditivo. Estamos a introduzir uma sensação nova. Temos de fazer uma programação numa folha em branco. O material bioelétrico que é implantado tem que se personalizar e fazer uma boa adaptação à situação concreta", explica Luís Filipe Silva. Este é o grupo mais sensível, que exige uma equipa "bem treinada", adverte o especialista, ao acentuar a necessidade de acompanhamento para uma boa reabilitação.
No caso do adulto que é implantado, já ouviu (caso contrário não tinha indicação para implante), pelo que "é mais simples fazer a adaptação de uma prótese, uma vez que a pessoa mantém a memória auditiva".

Alguns implantados conseguem "as mesmas performances do que alguns ouvintes normais", refere o médico. Mas em termos de complexidade de sinal e de possibilidade de captação, "o implante introduz um sinal mais grosseiro".

"Surdez súbita é frequente"
Quais as causas da surdez? Uma pessoa pode ficar surda de repente?
Luís Filipe Silva – Pode. É uma situação que aparece nas urgências com alguma frequência: a surdez súbita, que pode ter várias causas. Normalmente são vasculares, como um vaso sanguíneo que entupiu.

– É muito frequente?
– A mais frequente é a surdez progressiva. Também temos casos de pessoas que sofreram traumas. Há ainda doenças infecciosas que causam surdez e aquela que é provocada por medicamentos que são tóxicos para os ouvidos.

– É possível prevenir?
– Deve-se proteger de ruídos intensos e infeções, cumprindo as normas de higiene. Há que ter uma vida saudável, controlar a hipertensão arterial (na base de muitos dos problemas vasculares), a diabetes e outras doenças degenerativas.

Implante custa 20 mil euros
Um implante coclear é um equipamento eletrónico com duas componentes: uma interna, colocada na cóclea do doente através de cirurgia, e uma externa. O implante inicial custa 20 mil euros e manutenção anual necessária mil euros.

Implantes desde 1985
O primeiro implante coclear foi realizado em Portugal em 1985, na mesma data em que começavam a ser feitos na Alemanha e na Noruega. A técnica foi trazida por dois irmãos otorrinolaringologistas - Manuel Filipe Rodrigues e Fernando Rodrigues - formados na Alemanha.

Coimbra trata doentes de todo o País
O CHUC é o único centro de referência nacional público, recebendo doentes de todo o País. Para Fernando Regateiro, presidente do conselho de administração, não se chegou a este patamar "por geração espontânea, mas sim com muito esforço e dedicação".

Camila já reage a sons e ao nome
Camila Albuquerque, de 22 meses, nasceu surda. Após os primeiros testes, o diagnóstico de surdez congénita deixou os pais de rastos. "Foi difícil aceitar", conta a mãe, Susana Ferreira, 34 anos, residente em Seia. Após a avaliação, a bebé foi submetida a uma cirurgia de seis horas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Está a fazer a reabilitação auditiva. "Está na fase de deteção auditiva em que reage aos sons e ao próprio nome", explica Daniela Ramos, terapeuta da fala, referindo que todo o trabalho é feito através de jogos e brincadeira.

Nas últimas semanas, Camila fez grandes progressos: "Está mais atenta à televisão, reage ao nome e já diz mamã", conta Susana.
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