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Correio da Manhã

Sociedade
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Imprensa paquistanesa acolhe Nobel de Malala com elogios

Extremistas islâmicos e professores acusam-na de jogar o jogo do Ocidente.
11 de Outubro de 2014 às 11:19
Malala Yousafzai
Malala Yousafzai FOTO: Carlo Allegri/Reuters

A imprensa paquistanesa acolheu com elogios a atribuição do Prémio Nobel da Paz à jovem ativista para a Educação Malala Yousafzai que tenta convencer famílias e líderes políticos a proporcionar instrução aos milhões de crianças que não frequentam a escola.

"Heroína nacional", "orgulho do Paquistão", "coragem invulgar", "Filha da Nação", são algumas das designações atribuídas a Malala pela comunicação social paquistanesa, até agora raramente tão unânime quanto à jovem de 17 anos.

Os extremistas islâmicos, os cidadãos e os professores acusam-na de jogar o jogo do Ocidente e de dar má imagem do Paquistão e do Islão, tendo até uma associação importante de escolas chegado a proibir a publicação de sua biografia 'Eu, Malala' nas suas instalações.

Mas num país ofuscado pela violência diária, minado pela pobreza e por conflitos políticos, a atribuição do Prémio Nobel da Paz foi no entanto bem recebida por grande parte da população.

"Momento de inspiração"

Segundo o jornal de língua inglesa A Nação, "este é um momento de humildade e inspiração para o país" e "apesar de muitos não gostarem disso, permanece o facto".

A publicação nota ainda que Malala Yousafzai "é paquistanesa e representa os milhões de jovens paquistaneses da sua geração".

"Ao lado dos terroristas, dos violadores, dos ladrões e mentirosos que o nosso Estado produz, há heróis que trabalham em silêncio pela paz, reforma, educação, assistência social, direitos humanos e a verdade. Malala é tanto uma dessas pessoas como todas essas pessoas", disse o jornal, acrescentando que "da violência e da miséria pode também emergir a magnificência".

Este Nobel, atribuído à pessoa mais jovem de sempre, mostra um certo caminho a seguir neste país de 180 milhões de habitantes afetados por analfabetismo nas classes populares e pobres, observa ainda o jornal Dawn.

Prémio Nobel da Paz Paquistão Malala
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