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Correio da Manhã

Sociedade
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Vacinas protegem contra quatro estirpes da gripe

Vacinas oferecem proteção com ovos de galinha.
Cláudia Machado 9 de Junho de 2018 às 09:52
Vacinas FOTO: Direitos Reservados
O vírus influenza é responsável, anualmente, por cerca de cinco milhões de casos graves de gripe em todo o Mundo e, desses, 650 mil resultam em morte. Em Portugal, muitas épocas gripais levaram a um pico de mortalidade. Existem vacinas, mas também existem várias estirpes e subtipos do vírus, adicionando imprevisibilidade à luta contra a epidemia. Neste combate, inovação e métodos já comprovados são grandes aliados. E é aqui que entram os ovos de galinha.

Há quase 70 anos que as vacinas da gripe são produzidas com recurso a ovos. É dentro destes que os vírus são incubados. E este método foi o escolhido em França para a produção de uma nova vacina, que se propõe a proteger a população de quatro variantes do vírus influenza.

Um dos principais entraves à prevenção da gripe passa pela sua desvalorização, através de dois 'mitos': não mata e só afeta os idosos e os mais fragilizados. "Pode levar à morte por outras causas", alerta o pneumologista Filipe Froes, referindo-se ao potencial do vírus para gerar complicações e a exacerbação de outras doenças. "Quatro das seis principais causas de morte estão ligadas ao influenza", destaca. O segundo 'mito' cai por terra através dos grupos de maior risco: crianças e idosos, grávidas, imunodeprimidos ou com outras doenças. "Todos nós já pertencemos ou ainda pertencemos a um grupo de risco. Afeta a todos", conclui.

PORMENORES
Infarmed avalia
Vaxigrip Tetra, vacina contra quatro estirpes de gripe produzida pela Sanofi Pasteur, não é comercializada em Portugal. O dossier está sob avaliação da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

Produto em 24 países
A vacina quadrivalente (por proteger contra quatro estirpes A e B da gripe) foi lançada no ano passado em 24 países. O medicamento é produzido numa fábrica localizada em Val de Reuil, na região francesa da Normandia, que o CM visitou a convite da Sanofi Pasteur.

DISCURSO DIRETO
Filipe Froes, médico pneumologista
"Previne formas graves de doença"
CM - Porque é que, por vezes, a vacina administrada não é a mais eficaz para a estirpe em circulação?
Filipe Froes - A Organização Mundial de Saúde tem uma rede de vigilância a nível mundial para monitorizar as estirpes que estão em circulação e tem de tentar prever o que dali a seis meses vai acontecer. Nem sempre acerta na totalidade. Até porque um dos problemas que temos vindo a constatar é que cada vez mais há estirpes a circular ao mesmo tempo.

CM - Justifica-se, ainda assim, a vacinação?
Filipe Froes - Justifica-se sempre, porque mesmo que a eficácia da vacina seja menor, a proteção adquirida é sempre maior do que sem a vacinação. A vacina previne formas graves de doença e as suas complicações.
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