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Correio da Manhã

Sociedade

Inquérito ao caso do 'bebé sem rosto' concluído no final da semana

Administração Regional de Saúde detetou indícios de irregularidades.
Miguel Balança 30 de Outubro de 2019 às 09:03
Clínica Ecosado, em Setúbal, onde a mãe de Rodrigo fez ecografias, está na mira das autoridades
Rodrigo continua internado
Equipa do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, observou Rodrigo
Clínica Ecosado, em Setúbal, onde a mãe de Rodrigo fez ecografias, está na mira das autoridades
Rodrigo continua internado
Equipa do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, observou Rodrigo
Clínica Ecosado, em Setúbal, onde a mãe de Rodrigo fez ecografias, está na mira das autoridades
Rodrigo continua internado
Equipa do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, observou Rodrigo
O inquérito aberto pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) ao caso do bebé Rodrigo, revelado pelo CM, deverá estar concluído no final da semana.

Na mira das autoridades está o facto da clínica Ecosado, em Setúbal, aceitar utentes encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), sem que esta tenha qualquer convenção, quer com a ARSLVT, quer com o SNS. Foi nesta clínica, onde trabalhava o médico Artur Carvalho, que Marlene, a mãe do bebé Rodrigo, realizou várias ecografias.

As autoridades de Saúde tentam perceber de que forma era efetuado o pagamento e cobrado o montante ao Estado, dado que não existia acordo entre a clínica e o SNS.

"Há aqui indícios de irregularidades que têm de ser esclarecidos. Iremos ter um esclarecimento cabal da situação dentro em breve, nos próximos dias, de como foi feito o pagamento", confirmou esta terça-feira Luís Pisco, presidente da ARSLVT.

Questionado sobre o caso de Rodrigo, o novo secretário de Estado da Saúde, António Sales, reconheceu que "pode haver algumas disfuncionalidades no processo" que levava a Ecosado a realizar ecografias. E admitiu: "tem de se reforçar a fiscalização", nomeadamente a Entidade Reguladora da Saúde.

Bastonário quer explicação sobre falta de convenções
"Espero que os resultados [do inquérito] sejam conhecidos muito rapidamente. Não podemos ficar com dúvidas sobre o controlo da qualidade que tem de ser feito pela Entidade Reguladora da Saúde ou as Administrações Regionais de Saúde (...) se existirem clínicas que, à margem de potenciais convenções que existam com clínicas maiores, as pessoas estejam lá a fazer os exames sem o Estado saber", afirmou esta terça-feira Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.

Pais de Rodrigo ainda não foram chamados a depor
Rodrigo continua internado no Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Os pais, Marlene e David, estão com ele noite e dia. O prognóstico é reservado.

Marlene e David já receberam a visita da assessoria jurídica da ARSLVT, mas ainda não foram chamados a depor acerca da queixa que apresentaram no Ministério Público e na Ordem dos Médicos. A família espera que seja feita justiça. Rodrigo nasceu a 7 de outubro, sem nariz, olhos e parte do crânio.
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