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Correio da Manhã

Sociedade
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“Interesses à frente dos bens comuns”

Francisco Ferreira, membro da direcção da Quercus, sobre os resultados da Conferência RIO + 20, no Brasil.
24 de Junho de 2012 às 01:00
“Interesses à frente dos bens comuns”
“Interesses à frente dos bens comuns”

Correio da Manhã – Qual o balanço da Conferência Rio + 20? O que falhou?

Francisco Ferreira – Ficou claro que os países preferiram colocar os seus interesses à frente dos bens comuns. Havia muitas discordâncias em assuntos que importava esclarecer para colocar no documento final. Posso referir o exemplo da pesca que afecta as zonas mais profundas dos oceanos, o financiamentoe apoio dos países desenvolvidos aos países em vias de desenvolvimento e as energiasrenováveis.

– O documento ficou aquém do que era esperado?

– O documento resulta daquilo a que foi fácil encontrar consenso e não da tentativa de ultrapassar as dificuldades e divergências dos diferentes países. Ficou aquém do que se esperava porque temos desafios que começaram a ser encarados há duas décadas, na ECO 92, tais como as alterações climáticas, a desertificação, a biodiversidade,e ainda não conseguimos inverter o seu agravamento. Devíamos ter conseguido sair da Conferência RIO + 20 com uma maior objectividade, com metas concretas, e não com apenasorientações.

– E no contexto nacional, que medidas devem ser tomadas?

– Há uma estratégia nacional de desenvolvimento sustentável proposta pelo anterior Governo e que está na gaveta, não faz parte da agenda. Não queremos um documento meramente teórico, mas objectivos concretos, indicadores que envolvam o Governo e a sociedade. Propusemos que, até 2050, toda a electricidade do País tivesse origem em fontes renováveis. O Governo não assumiu este objectivo, embora ele deva estar contemplado, de forma muito clara, nesta estratégia. Trata-se de decidir como é que queremos deixar o País em 2050.

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