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Correio da Manhã

Sociedade
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Invasão asiática em Fátima celebra ‘milagre do sol’

Peregrinação assinala a última aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos.
Isabel Jordão e Paulo João Santos 13 de Outubro de 2019 às 01:30
O número crescente de peregrinos asiáticos levou o Santuário de Fátima a integrar a língua coreana nas principais celebrações na Cova da Iria
Cadela ganhou o nome de Arisca. Já percorreu 150 quilómetros com os fiéis
Multidão de olhos postos no Sol. Um fenómeno que tem tido várias interpretações, mas permanece um mistério
Lúcia morreu em 2005
O número crescente de peregrinos asiáticos levou o Santuário de Fátima a integrar a língua coreana nas principais celebrações na Cova da Iria
Cadela ganhou o nome de Arisca. Já percorreu 150 quilómetros com os fiéis
Multidão de olhos postos no Sol. Um fenómeno que tem tido várias interpretações, mas permanece um mistério
Lúcia morreu em 2005
O número crescente de peregrinos asiáticos levou o Santuário de Fátima a integrar a língua coreana nas principais celebrações na Cova da Iria
Cadela ganhou o nome de Arisca. Já percorreu 150 quilómetros com os fiéis
Multidão de olhos postos no Sol. Um fenómeno que tem tido várias interpretações, mas permanece um mistério
Lúcia morreu em 2005
O Santuário de Fátima integrou a língua coreana nas principais celebrações, em resposta ao aumento do número de peregrinos asiáticos na Cova da Iria. Este sábado, o recinto de oração acolheu milhares de fiéis, que hoje deverão também participar na missa final e na procissão do adeus.

Na peregrinação que termina este domingo e que assinala a sexta e última aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos - a 13 de outubro de 1917, que ficou conhecido como o dia do ‘milagre do Sol’ - uma das preces da oração dos fieis, na missa, é feita em coreano, bem como um dos mistérios do rosário.


"Pelos missionários, para que sigam fielmente a missão de proclamar o evangelho da salvação até ao fim dos tempos, como testemunhas do Senhor ressuscitado, vencendo a perseguição e o sofrimento, oremos", refere, em português, a prece feita na missa celebrada este sábado à noite.

Outro sinal da atenção do Santuário para com o povo asiático é a presença do arcebispo de Seul, cardeal Andrew Yeom Soo-jung, a presidir às celebrações. O cardeal está em Fátima, acompanhado de vários bispos sul-coreanos.

Esta invasão asiática na Cova da Iria tem vindo a acentuar-se desde 2017, ano do centenário das aparições e, no ano passado, "dos 481 grupos provenientes da Ásia, que participaram nas celebrações oficiais, 125 foram sul-coreanos", revela o Santuário. No entanto, os grupos filipinos continuam a ser os que mais viajam até ao ‘altar do Mundo’ a partir da Ásia.

Para esta peregrinação inscreveram-se 20 grupos, oriundos das Filipinas (6), República da Coreia (6), Indonésia (3), Índia (3), Sri Lanka (1) e Vietname (1).

"A Igreja Católica é minoritária na Ásia, mas florescente, e em novembro o Japão vai receber o Papa Francisco", lembra o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, para quem a Ásia é o "eixo para onde o mundo cristão caminha". A Coreia do Sul tem um Santuário da Paz de Fátima, situado perto da fronteira com a Coreia do Norte.

GNR apela a cuidado na condução
A enorme afluência a Fátima levou a GNR a apelar aos condutores uma "condução cautelosa", respeitando a sinalização e os agentes.

Santuário já conta 4,5 milhões de fiéis
Segundo o reitor do Santuário, padre Cabecinhas, nos primeiros nove meses do ano, o Santuário recebeu a visita de 4,5 milhões de peregrinos.

Aparição de outubro põe multidão de olhos no céu
O 13 de maio é considerada a data mais importante das aparições da Cova da Iria, mas foi a 13 de outubro que os crentes tiveram prova. Sem os acontecimentos que marcaram esse longínquo dia do ano de 1917, o santuário mariano de Fátima não teria a importância que tem no mundo católico.

O fenómeno, a que assistiram mais de 70 mil pessoas, algumas vindas da vizinha Espanha, ficou conhecido como ‘o bailado do Sol’. As centenas de testemunhos recolhidos junto dos que se deslocaram a Fátima naquele dia - e que se encontram guardados nos arquivos do Santuário - não são totalmente coincidentes, mas todos falam no movimento do astro, em várias direções, durante 10 a 15 minutos, que surgiu por entre a tempestade.

Fala-se, ainda, de um Sol de tom baço, que se deixava olhar. De todos, o testemunho mais importante coube a Avelino de Almeida, um não crente, jornalista de ‘O Século’, que se tinha deslocado propositadamente a Fátima para ridicularizar os acontecimentos da Cova da Iria.

A determinada altura do texto que publicou, pode ler-se: "O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço.

Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse. Aos olhos deslumbrados daquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fora de todas as leis cósmicas - o sol ‘bailou’, segundo a típica expressão dos camponeses."

O fenómeno, que rapidamente ultrapassou fronteiras, é decisivo para o reconhecimento de Cova da Iria como local sagrado.

Cadela acompanha peregrinos de Seia até à Cova da Iria
Uma cadela da raça podengo, que terá sido abandonada, está a acompanhar um grupo de peregrinos de Seia que caminha até Fátima, tendo-se juntado a eles ainda na primeira etapa, em Oliveira do Hospital. O grupo chega esta manhã ao Santuário, tendo este sábado concluído 150 dos 170 quilómetros que separam Seia da Cova da Iria.

A cadela, já apelidada de Arisca, começou por seguir atrás do grupo, não deixando que os fiéis se aproximassem, mas com o passar dos dias integrou-se, deixando-se mimar. É tão acarinhada pelo grupo, que um dos peregrinos, de Gouveia, está disposto a levá-la para casa.

Professor adensa mistério
Gonçalo de Almeida Garrett, lente da Universidade de Coimbra, viu o fenómeno: "Ocorreu pelo meio-dia, perto do zénite, no qual os fenómenos meteorológicos têm menos intensidade sobre o Sol."

Pais de Lúcia presentes
Os pais de Lúcia, que nunca acompanharam a filha à Cova da Iria em dia de aparição, fizeram questão de estar presentes no 13 de outubro. "Se vai morrer, eu quero morrer ao seu lado", comentou o pai.

Anúncio do fim da I Guerra
Segundo a irmã Lúcia, foi-lhe revelado na aparição de 13 de outubro que a I Guerra Mundial ia acabar e pedido para que fosse construída uma capela no local - o que começou a ser feito a 28/4/1919.

Lúcia pediu milagre três meses antes
O mais intrigante dos acontecimentos de 13 de outubro de 1917 é o facto de se tratar de um ‘milagre anunciado’. Daí a multidão que se deslocou ao Santuário naquele dia.

Contou Lúcia que, na terceira aparição (em julho) pediu a Nossa Senhora que fizesse um milagre para que acreditassem nela, ao que, segundo a vidente, respondeu: "Em outubro farei um milagre."

Astrónomos sem resposta
O astrónomo Frederico Oom, responsável à época do Observatório da Tapada da Ajuda, comentou assim o ‘bailado do Sol’: "A ser um fenómeno cósmico, os observatórios astronómico e metiorológicos não deixariam de o registar. E eis precisamente o que falta: esse registo inevitável."

Pastorinhos não viram o fenómeno
Curiosamente, nem Francisco, nem Jacinta, nem Lúcia viram o fenómeno, já que o mesmo ocorreu no momento da sexta aparição.

Videntes ajoelhados no local da aparição
Enquanto os fiéis contemplavam o movimento solar, os pastorinhos estavam ajoelhados no local onde Nossa Senhora aparecia.

SAIBA MAIS
70 000
é o número estimado de fiéis que se deslocaram ao Santuário a 13 de outubro de 1917, embora haja relatos que falem em mais de 100 mil pessoas. Na altura era um lugar deserto. No local das aparições, terreno pertencente ao pai de Lúcia, havia azinheiras, oliveiras e carvalhos.

Papa Pio XII
O Papa Pio XII viu, em, 1950, o 'milagre do Sol' nos jardins do Vaticano. O facto foi contado pelo cardeal Frederico Tedeschini em 13 de outubro de 1951, no encerramento do Ano Santo, em Fátima

Imagem Peregrina
A imagem da Virgem Peregrina de Fátima estava em Roma quando o ‘bailado do Sol’ foi observado por Pio XII; a imagem esteve junto ao Vaticano num convento de religiosas.

Fotografias
Treze fotografias de Judah Ruah, antigo diretor dos Serviços Técnicos da Câmara de Lisboa, é tudo o que existe, em termos de imagem, sobre o fenómeno de 13 de outubro de 1917. Apenas testemunham o mar de gente presente no local. Em algumas delas, olham para o céu.

Reconhecimento
O processo de reconhecimento de Cova da Iria como local sagrado foi longo. Só a 13 de outubro de 1930, pela Carta Pastoral ‘A Divina Providência’, o bispo de Leiria declara "dignas de crédito as visões das crianças" e permite oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.
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