Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
3

Investigação científica mete travão na doença de Parkinson

Remoção das proteínas associadas à doença reacende esperança.
Miguel Balança e Susana Pereira Oliveira 16 de Março de 2019 às 09:29
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
Doença de Parkinson
A intervenção no aglomerado de proteínas acumuladas no cérebro de doentes com Parkinson pode estar a "poucos anos" de ser uma realidade, revela Tiago Fleming Outeiro, professor da Universidade de Medicina de Goettingen, na Alemanha.

"Sabemos, há mais de cem anos, que nos cérebros dos doentes de Parkinson se acumulam aglomerados, em que determinadas proteínas, por motivos que não conhecemos, deixam de funcionar normalmente. Se conseguirmos perceber de que forma é que levam ao mau funcionamento dos neurónios, estamos convencidos que podemos ser capazes de intervir, evitando problemas nocivos e travando a progressão da doença", explica o investigador.

Os resultados dos ensaios clínicos, que já decorrem, chegam "dentro de dois ou três anos", acrescenta. Caso fiquem provados os efeitos diretos da remoção dos aglomerados proteicos, o investigador sustenta que se "pode avançar para ensaios em grupos mais alargados e, posteriormente, dar-se a introdução de um novo medicamento no mercado", alargando o leque de terapêuticas disponíveis.

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, depois do Alzheimer, e estima-se que afete cerca de 20 mil portugueses - em todo o Mundo atinge 6 milhões de pessoas.

Agilizar o diagnóstico é outro dos desafios e estuda-se a identificação de biomarcadores da doença no sangue. Portugal "está na linha da frente" da investigação, garante o docente universitário.

SAIBA MAIS
11
dia em abril que assinala, anualmente, o Dia Mundial da Doença de Parkinson. A data coincide com o nascimento de James Parkinson, o médico que detetou a doença em 1817.

Incidência da doença
A prevalência da doença de Parkinson aumenta com a idade, sendo mais comum nos homens do que nas mulheres. Em Portugal, surgem mais de 1800 novos casos por ano.

Tiago Fleming Outeiro, professor universitário
"Devem manter-se ativos"
CM: Que sintomatologia é característica da doença?
Tiago F. Outeiro– Os sintomas clássicos incluem rigidez muscular, dificuldade no iniciar de movimentos, tremor em repouso e instabilidade postural. Hoje, sabemos que o Parkinson é mais complexo e inclui, também, distúrbios do sono, falta do olfato, problemas cognitivos e psicológicos.
- A medicação é eficaz?
– Apesar de ser uma doença terrível, progressiva e que ainda não conseguimos travar, existe algo que a distingue de outras doenças neurodegenerativas: há medicação que funciona bem e que ajuda a controlar os sintomas motores.
– Que estilo de vida adota quem é diagnosticado?
– Os doentes devem tentar fazer uma vida normal, mantendo-se ativos, quer física, quer mentalmente.

Congresso Nacional discute progresso
Termina este sábado o congresso nacional da Sociedade Portuguesa de Doenças do Movimento (SPDMov). O "exame clínico nas doenças do movimento" dá o mote para a edição deste ano, no Hotel Curia Palace (Anadia).
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)