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Correio da Manhã

Sociedade
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Investigadores de Coimbra desenvolvem vacina oral para a hepatite B

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram uma vacina oral para a hepatite B, "mais eficaz e potencialmente mais estável" que a vacina injectável, anunciou esta segunda-feira a instituição.
5 de Novembro de 2012 às 14:09
Investigadores afirmam que a nova vacina apresenta "claras vantagens" em relação às vacinas injectáveis
Investigadores afirmam que a nova vacina apresenta 'claras vantagens' em relação às vacinas injectáveis FOTO: Pedro Catarino

A vacina oral para a hepatite B, descoberta por uma equipa de cinco investigadores do Centro de Neurociências (CNC) e da Faculdade de Farmácia da UC (FFUC), "já foi testada 'in vivo' (em ratinhos) com sucesso", adianta uma nota da reitoria da Universidade.

A nova vacina, "ao contrário daquela que já está no mercado - que não produz anticorpos específicos ao nível da mucosa" -, induz o desenvolvimento de "uma elevada concentração de anticorpos, que travam a entrada do vírus" no organismo, afirma à agência Lusa Olga Borges, docente da FFUC e coordenadora da investigação.

"Esta é uma grande vantagem", pois "a hepatite B é uma doença sexualmente transmitida (principal meio de contágio da doença nos países desenvolvidos) ", recorda a especialista, salientando que o novo medicamento "combate o vírus na porta de entrada do organismo", impedindo a sua introdução na circulação sanguínea.

Os investigadores acreditam que a nova vacina também poderá ter benefícios para quem já está infectado pela hepatite B, adianta Olga Borges, advertindo, no entanto, que esta hipótese só poderá ser validada com ensaios clínicos.

Além do conforto que representa para o doente, a nova vacina apresenta outras "claras vantagens", em relação às vacinas injectáveis, designadamente, no "plano social e económico, sobretudo nos países em desenvolvimento", refere a investigadora da FFUC.

A administração da nova vacina dispensa pessoal técnico e não exige, para a sua conservação, cadeias de frio, meio que aqueles países nem sempre podem disponibilizar para garantir as propriedades da vacina, que, frequentemente, já está deteriorada quando é administrada.

"As vacinas orais são mais estáveis, permitindo, por isso, uma vacinação mais efectiva", afirma Olga Borges.

"Do ponto de vista científico, o trabalho está concluído", mas a comercialização da vacina oral para a hepatite B "depende do interesse da indústria", adianta a investigadora, lembrando que "o próximo passo será a transposição para os ensaios clínicos".

Se a indústria farmacêutica se interessar, desde já, pelo projecto e se o processo se "desenvolver normalmente", o novo medicamento poderá estar no mercado "dentro de pouco mais de dois anos", admite Olga Borges.

A hepatite B, "a mais perigosa das hepatites", é, segundo dados da OMS, responsável pela morte de 600 mil pessoas por ano, em todo o Mundo.

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