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Correio da Manhã

Sociedade
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Investigadores do Porto estudam proteína para tratar doentes com Alzheimer

Grupo de investigação cria novas terapias para tratamento para doença que afeta cerca de 47 milhões de pessoas.
Lusa 17 de Junho de 2018 às 09:47
Saúde
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Alzheimer
Alzheimer
Alzheimer Portugal lança campanha para aumentar compreensão sobre a demência
Saúde
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
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Alzheimer
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Saúde
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
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Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
Alzheimer
Alzheimer
Alzheimer Portugal lança campanha para aumentar compreensão sobre a demência
Um grupo de investigação do Porto está a criar novas terapias para o tratamento da doença de Alzheimer, através do estudo de uma proteína envolvida no desenvolvimento desta patologia, que afeta aproximadamente 47 milhões de pessoas a nível mundial.

"A doença de Alzheimer resulta da degradação progressiva de um fragmento proteico - peptídeo abeta -, presente no organismo dos indivíduos, que os doentes com Alzheimer têm em concentrações demasiado elevadas, acumulando-se no cérebro", disse à Lusa Isabel Cardoso, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), entidade responsável pelo estudo.

Neste projeto, a equipa do i3S está a estudar a proteína Transtirretina (TTR), presente no sangue, no cérebro e na medula espinal, que tem uma ação protetora na doença de Alzheimer.

Segundo a investigadora, esta proteína consegue capturar os fragmentos proteicos típicos na doença de Alzheimer e transportá-los até ao fígado, onde estes são degradados e eliminados, evitando assim que se acumulem no cérebro.

No entanto, o que se verifica é que, "em determinadas situações, a estabilidade da TTR está diminuída, ficando a função de limpeza dos fragmentos proteicos comprometida".

De acordo com Isabel Cardoso, os investigadores perceberam que existem formas de recuperar a estabilidade da proteína, com recurso a "pequenos compostos químicos que a ela se ligam" - anti-inflamatórios não esteroides -, recuperando, assim, a sua 'performance'.

Para a obtenção destes resultados, a equipa analisou a capacidade de memória e de aprendizagem de ratos transgénicos, através da criação de dois grupos: um com animais com características típicas do Alzheimer, não tratados, e outro com portadores da doença, aos quais foi administrado um composto químico.

Os animais foram colocados numa piscina, onde, durante alguns dias, a água era transparente e conseguia-se ver uma plataforma que fora aí instalada, de forma a memorizarem onde a mesma se encontrava.

"Numa fase seguinte a água foi tornada turva", impedindo os animais de verem a plataforma, de forma a verificar o tempo que estes demoravam a encontrar a plataforma.

Os animais não tratados "nadavam na piscina e tinham dificuldade em lembrar-se onde estava a plataforma, andando às voltas imenso tempo, sem a conseguirem encontrar", referiu.

Já no caso dos animais tratados com o composto químico, colocados na mesma situação, conseguiram encontrar a plataforma.

De acordo com a investigadora, testes bioquímicos ao cérebro mostraram que, no caso dos ratos tratados, o peptídeo abeta estava diminuído comparativamente ao grupo não tratado, comprovando assim o efeito do composto químico.

Apesar destes avanços, Isabel Cardoso considera que é preciso ainda muita investigação para identificar quais dos compostos químicos estudados conseguem estabilizar a TTR e, em simultâneo, aumentar a sua interação com o péptido abeta.

A doença de Alzheimer é uma patologia progressiva e irreversível, que atinge o cérebro e caracteriza-se pela perda de memória e das capacidades de pensamento, afetando, atualmente, cerca de 47 milhões de pessoas.

Isabel Cardoso salientou que o maior fator de risco para o desenvolvimento da doença é a idade e, dado o aumento da esperança média de vida, o número de casos tem vindo a aumentar, constituindo um problema grave, que afeta os pacientes e as suas famílias.

A equipa recebeu recentemente um apoio de 37,5 mil euros, da Fundação Millennium bcp, que lhe permitirá, nos próximos 24 meses, aprofundar o seu trabalho.
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