Responsável adaintou que foi o investimento de cerca de 42 milhões de euros que "permitiu ter radares de topo e identificar a evolução rápida do 'sting jet'".
O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disse esta quarta-feira, na Assembleia da República, que o sistema não falhou, naquilo que são as suas competências, na tempestade Kristin.
"O sistema não falhou nas competências do IPMA. Estamos a falar de previsões que têm um grau de variação", explicou José Guerreiro, presidente do Conselho Diretivo do IPMA, ouvido esta manhã na Comissão da Reforma do Estado e Poder Local.
Na reunião, após um requerimento do Chega para perceber se houve falhas nos sistemas de alerta, o responsável sublinhou que as previsões são uma "probabilidade", adiantando que foi o investimento de cerca de 42 milhões de euros que "permitiu ter radares de topo e identificar a evolução rápida do 'sting jet'", fenómeno verificado na madrugada do dia 28 de janeiro.
Esclarecendo que o "IPMA não faz formalmente parte do sistema de Proteção Civil", não obstante, "participa diariamente nos 'briefings' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil" [ANEPC], José Guerreiro observou que a "formação da depressão só foi detetada no dia 27 de janeiro. No dia 26 de janeiro, pelas 18:02", o IPMA alertou para "rajadas até 150 km/h" e, "no dia 27, às 06:45 rajadas até 140 km/h".
Avisos que foram transmitidos à ANEPC, sublinhou, ao informar que já no dia 27 à tarde, numa entrevista ao IPMA, a RTP tinha o título "impacto da Kristin pode ser catastrófico".
José Guerreiro precisou ainda que as previsões meteorológicas são feitas com base numa análise de modelos numéricos de previsão que dão probabilidades" e os dados apontavam para a "entrada da tempestade a norte do Cabo Mondego".
"Estes fenómenos são raríssimos e são dificilmente avaliados com 100% de precisão. No dia 28, pelas 02:49, foi detetado o 'sting jet' - que só se formou horas antes - e o local de entrada", reforçou.
Com um "acompanhamento ao minuto", o presidente do IPMA acrescentou que Leiria já estava com aviso laranja e quando foi previsível o local de entrada passou para aviso vermelho, informação que "foi dada imediatamente às autoridades".
Garantindo que o IPMA tem os melhores meios ao nível da Europa, José Guerreiro admitiu que "há um grau de imprevisibilidade, porque o 'sting jet' forma-se de repente", pelo que "nenhum país consegue fazer melhor".
"Pouco mais se poderia ter feito, do que foi feito pelo IPMA, que segue a cadeia da Proteção Civil, onde esteve um técnico em permanência", destacou.
O vogal do Conselho Diretivo do IPMA, Telmo Carvalho, explicou que o "IPMA comunica informação meteorológica. Os impactos não são da sua responsabilidade, até porque não temos conhecimento do território. O impacto terá de ser previsto pela proteção civil municipal", disse.
O deputado do PSD, Marco Claudino, considerou que o requerimento do Chega pedia esclarecimento, mas "já dando uma conclusão, que hoje fica claro, que estava errada a premissa para este requerimento de que havia falhas".
Já Bruno Nunes, do Chega, respondeu que se percebeu esta quarta-feira que "houve falhas", avisando que a audição deve "ser lavrada em ata e remetida ao Ministério Público [MP]".
"Percebemos claramente que o IPMA comunicou a tempo e horas, existiu motivo mais do que suficiente para salvaguardar uma série de questões. As autoridades de Proteção Civil têm muita responsabilidade, inclusive a Proteção Civil municipal. Sim, houve gente irresponsável e pessoas que têm responsabilidade criminal do que aconteceu", sublinhou.
Bruno Nunes adiantou que "dada a conjuntura que teve em Leiria, Marinha Grande e naquela zona que foi afetada, existe matéria mais do que suficiente para tudo o que foi falado nesta comissão seja remetido ao MP e, como disse o antigo Presidente da República, investigue-se".
"Finalmente chegámos ao objetivo principal desta audiência, que tem a ver com esta perseguição aos presidentes de câmara de concelhos mais afetados. Nesta comissão em vez de os apoiar é encontrar culpados", criticou a deputada do PS, Catarina Louro.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
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