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Correio da Manhã

Sociedade
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Jerónimo: "Nada justifica" fecho da Maternidade Alfredo da Costa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta segunda-feira que "nada justifica o encerramento" da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, considerando que por trás desta decisão do Governo podem estar interesses imobiliários.
9 de Abril de 2012 às 17:24
Jerónimo de Sousa considera que por trás da decisão do Governo podem estar interesses imobiliários
Jerónimo de Sousa considera que por trás da decisão do Governo podem estar interesses imobiliários FOTO: LUSA

"Quero aqui lembrar que o Estado investiu milhões de euros em obras de melhoria de instalações desta maternidade. Qual a razão porque agora pretendem encerrá-la? Fica uma dúvida, que a vida e o futuro há-de esclarecer: se não é mais do que uma medida em termos de gestão pública correcta ou se é antes aqui os interesses obscuros que podem levar a ter apetência por aquele espaço imobiliário. A vida dirá se temos razão ou não. Mas uma coisa sabemos, com uma profunda justificação, nada justifica o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa", afirmou o líder comunista.

Para Jerónimo de Sousa, o Governo está a querer "acabar com o sítio onde milhares de portugueses nasceram", o que "tem uma carga simbólica", acrescentando ainda que "num quadro geral de encerramentos que tem acontecido, por vezes há questões e momentos que tocam profundamente os portugueses".

Porém, sublinhou, há neste processo uma dimensão que vai além do simbolismo: "Eu quero lembrar que a Maternidade Alfredo da Costa deu uma contribuição decisiva para o período pré-natal, para o nascimento de crianças, para aplicar em Portugal aquilo com que sonhámos com o 25 de Abril, que era o direito de nascer com saúde, de ter uma maternidade em vez do recurso violento de [as crianças] terem de nascer em casa sem nenhuma protecção em termos de saúde", disse Jerónimo de Sousa, que falava em Lisboa, na sede do PCP, numa conferência de imprensa sobre o Serviço Nacional de Saúde.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu que a reforma hospitalar "não é sinónimo de fechos", embora tenha adiantado que o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa acontecerá "de certeza" nesta legislatura.

Sobre a reorganização hospitalar que está para breve, o ministro limitou-se a explicar que este tipo de reformas "é algo que demora duas legislaturas a fazer".

"Vamos pô-la [a reforma hospitalar] em prática, mas só depois de ter suporte técnico e de saber como avançamos", adiantou.

Questionado sobre o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, Paulo Macedo sublinhou que não tem "qualquer intenção de desmembrar as equipas".

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