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Correio da Manhã

Sociedade
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Laboratório dá férias a médicos

Clínicos podem receber prendas até 25 euros, mas a oferta da empresa excedeu em muito o que está previsto. Caso foi denunciado às autoridades
6 de Outubro de 2010 às 00:30
Por lei, os médicos só podem receber prendas até 25 euros
Por lei, os médicos só podem receber prendas até 25 euros FOTO: Lusa

O laboratório de genéricos Wynn ofereceu durante três meses descontos de 15 por cento aos médicos que quisessem fazer um programa de férias de Verão, de três a cinco dias, nas Pousadas de Portugal. O valor da oferta, válida de 1 de Julho a 30 de Setembro, excedeu em muito o máximo permitido por lei, que é de 25 euros. Ao que o CM apurou, os valores oferecidos variavam entre 42,75 euros e 150 euros. O caso foi denunciado às autoridades.

José Manuel Silva, da Ordem dos Médicos, diz que "a oferta de presentes de valor superior ao estipulado na lei é uma actividade ilegal do laboratório e uma violação da legislação". Adianta que o recebimento de "presentes de valor permitido por lei não significa que os clínicos prescrevam os medicamentos do laboratório".

Na parte da frente do programa de descontos do laboratório Wynn, ao qual o Correio da Manhã teve acesso, constava uma lista 27 medicamentos, nas diversas dosagens e embalagens com várias quantidades de comprimidos.

Os genéricos destinam-se ao tratamento das doenças mais comuns, como prevenção das doenças cardiovasculares, hipertensão, depressão//ansiedade, dor, alergias, infecções, inflamação, doença de Parkinson, epilepsia e insónia.

No verso do programa constavam as localidades com pousadas e onde o folheto podia ser apresentado para gozo do programa de férias, que incluía oferta de pequeno-almoço buffet, refeições e garrafas de vinho. As crianças tinham direito a menus e actividades infantis.

O CM tentou saber junto da instituição Pousadas de Portugal quantos programas do Wynn foram utilizados, mas não foi possível obter resposta.

Também o laboratório Wynn recusou prestar esclarecimentos, apesar dos vários contactos.

Fonte da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) afirma ao CM que "todos os casos que chegam ao conhecimento da instituição são fiscalizados". Por ser feriado, não foi possível saber resultados deste caso.

INDÚSTRIA REMETE CASO DO WYNN PARA O INFARMED

A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) afirma ao CM ter conhecimento do caso que envolve uma empresa não-associada da Apifarma. A Apifarma "de imediato remeteu o caso para a Autoridade Nacional do Medicamento [Infarmed], a fim de que esta actue sancionando e actuando para pôr fim a uma prática contrária à lei". A Apifarma, que representa mais de 130 empresas da indústria farmacêutica, diz ter a funcionar um "conselho deontológico que supervisiona a aplicação do código entre os seus associados".

 

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