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Correio da Manhã

Sociedade
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Lar acusa INEM de falta de socorro

A responsável pela Casa de Repouso Maria Helena, em Olhos de Água, Palmela, acusa o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de falta de socorro a uma mulher de 88 anos que morreu ontem no Hospital São Bernardo, em Setúbal. O INEM afirma que não foram relatados sintomas de risco na chamada efectuada para o número de emergência nacional 112 e nega que tenha havido falha no atendimento.
26 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Maria Joaquina Batista, proprietária do lar, vai apresentar queixa contra o INEM, por não enviar ambulância
Maria Joaquina Batista, proprietária do lar, vai apresentar queixa contra o INEM, por não enviar ambulância FOTO: Sérgio Lemos

Ontem, pelas 07h45, uma funcionária do Lar de Repouso Maria Helena ligou para o 112 a dizer que a idosa Deolinda Romão, residente há dois meses, "estava apática, abatida e tinha vomitado durante a madrugada". Disse ainda que a mulher "estava contrariada por estar internada no lar".

Segundo Maria Joaquina Batista, proprietária do estabelecimento há 13 anos, o operador do INEM que respondeu à chamada disse para "chamar o médico" e "desejou as melhoras à mulher". "Acabámos por chamar os bombeiros de Palmela, que levaram a idosa para o hospital", onde deu entrada às 08h12. O óbito foi declarado às 09h40.

A médica que assistiu Deolinda Romão na Sala de Reanimação disse à família que a mulher morreu "devido a um AVC muito grave".

"A minha mãe poderia não ter sobrevivido, mas eles [INEM] agiram muito mal, não tinham o direito de não enviar meios, deviam ter tentado socorrer a minha mãe, era um ser humano", disse ao CM a filha da idosa, Célia Romão. Maria Joaquina Batista garante que vai "apresentar queixa contra o INEM, porque não quiseram enviar uma ambulância".

De acordo com fonte do INEM, a chamada teve uma duração de dois minutos e 39 segundos e houve tentativas da operadora para saber a situação. "Na informação dada nada revela que pudesse levar ao desfecho", refere. A mesma fonte adianta que "não havia critérios clínicos para enviar meios" e que "a técnica agiu correctamente do ponto de vista técnico e comportamental". "O lar apenas disse que a utente estava apática e abatida", concluiu.

TRIBUNAL DE CONTAS CRITICA DEMORA NO ATENDIMENTO

O tempo médio de resposta de 13 segundos do INEM no atendimento das chamadas entre 2007 e 2009 ficou "muito aquém" dos cinco segundos ou menos recomendados, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas divulgada no final de Janeiro. O Tribunal de Contas acrescenta que há uma "percentagem insatisfatória de chamadas atendidas". Em 2009, variaram entre os 40,9 por cento e os 76,9 por cento, registadas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa e de Coimbra, respectivamente.

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