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"Estou em pânico": Diretora de lar com oito funcionários infetados com coronavírus em desespero

Diretora técnica está grávida e enfermeira está a trabalhar há mais de 24 horas em Vila Nova de Famalicão.
Lusa e Correio da Manhã 21 de Março de 2020 às 23:24
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"Estou em pânico": Diretora de lar com oito funcionários infetados com coronavírus assume que está sem ajuda desde quinta-feira
Um lar em Cavalões, Vila Nova de Famalicão, com 33 utentes, está sem funcionários a trabalhar, depois de oito terem testado positivo para o novo coronavírus, disse este sábado à Lusa a proprietária daquele equipamento.

De acordo com a proprietária e gerente da Residência Pratinha, um lar privado, Teresa Pedrosa, os 18 funcionários daquele equipamento estão "ou com teste positivo ou em quarentena", estando os 33 utentes a ser acompanhados por ela, a diretora técnica, "que está grávida", e uma enfermeira.

Alexandra Vieira, diretora técnica do lar, assume estar "em pânico" uma vez que desde quinta-feira que se encontra nesta situação e desde as 8h00 deste sábado que se encontra a auxiliar os idosos apenas com a ajuda de uma enfermeira - a laborar há mais de 24 horas - e da proprietária do lar. 

A mulher afirma estar com medo, por estar grávida, e cansada. Alexandra pede que as autoridade competentes os ajudem estando ela e os utentes em risco. Segundo a mesma fonte, desde quinta-feira que este lar está em contacto com as autoridades de saúde sem obter respostas.

"Queremos ajuda, que reintegrem os utentes ou nos arranjem pessoas para nos ajudar", afirmou Teresa Pedrosa em declarações à Lusa, explicando que já entrou em contacto com a Segurança Social, a delegada de saúde e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

Segundo Teresa Pedrosa, a Segurança Social disse que "como é um lar privado, o caso tem que ser tratado com a Saúde Pública". "A delegada de saúde disse que temos que ficar as três com eles. O que é impossível", afirmou.

O mais velho dos utentes tem 94 anos e o mais novo 55, "mas tem HIV". "São pessoas de alto risco", alertou.

A familiar de uma utente contou à Lusa que tinha sido contactada hoje pela direção sobre "a possibilidade de acolher em casa" a sua familiar.

Mais tarde, essa possibilidade passou a certeza, com um telefonema da delegada de saúde de Vila Nova de Famalicão, a querer saber se poderia "acolher em casa" a sua familiar.

"Ela disse que não encontra solução para os idosos", contou.

A Lusa tentou contactar a delegada de saúde de Vila Nova de Famalicão, mas até ao momento não foi possível.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão contou que a autarquia foi informada "hoje de manhã da existência do problema".

Recordando tratar-se de "uma instituição privada", a mesma fonte referiu que "o caso foi entregue às entidades regionais de Saúde e de Proteção Civil".

"A Câmara está a acompanhar a situação com preocupação e está disponível para ajudar, dentro das duas possibilidades e competências", referiu a mesma fonte, contando que "foi acionada ajuda ao nível da disponibilização de refeições".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 271 mil pessoas em todo o mundo, das quais pelo menos 12.700 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 12 mortes e 1.280 infeções confirmadas. O número de mortos duplicou hoje em relação a sexta-feira e registaram-se mais 260 casos no mesmo período.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou na terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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