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Correio da Manhã

Sociedade
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Lei obriga a menos sal no pão

Entra amanhã em vigor a lei que limita o teor de sal no pão, punindo o desrespeito com coimas entre 500 e 500 0 euros. Ocupando o pão um lugar central na alimentação dos portugueses e provada que está a associação do sal à hipertensão arterial, os médicos acreditam que esta medida pode traduzir-se em benefícios para a saúde, nomeadamente a nível da prevenção de acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos.
11 de Agosto de 2010 às 00:30
Industriais do sector garantem que já cumpriam o que agora diz a lei
Industriais do sector garantem que já cumpriam o que agora diz a lei FOTO: Ricardo Graça

"O efeito não será imediato e nem devemos acreditar que, com esta lei, resolvemos o problema de excesso de sal na alimentação, pois são precisas outras medidas, mas é um primeiro passo importante", avalia o médico de Saúde Pública e responsável da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Luís Negrão. "O pão é, entre os alimentos consumidos com regularidade, o que tem maior teor de sódio", lembra.

"Esta lei sinaliza um problema. O pão é um dos principais veículos do sal na alimentação dos portugueses, mas não é o único. Daí que só possa produzir resultados do ponto de vista da saúde se articulada com outras medidas", reforça Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas. "Também a sopa servida nos restaurantes tem muito sal", afirma, para se referir apenas a produtos de consumo diário.

Já o presidente da Associação do Comércio e da Indústria da Panificação e Pastelaria (ACIP), Carlos Santos, considera "nulo" o impacto da nova lei, uma vez que em Portugal, assegura, "o pão sempre foi produzido com um teor de sal abaixo dos 14 gramas". Notando que, na receita tradicional, a quantidade de sal varia entre 11 e 13 gramas, o mesmo responsável qualifica de "mentira" o estudo da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa, segundo o qual o pão nacional, com 19 a 20 gramas, tem quase o dobro do sal comparado com dez outros países europeus. Sem receio de inspecções da ASAE, entidade fiscalizadora, Carlos Santos diz que qualquer ultrapassagem do limite só pode resultar de "erro humano".

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